Muitos cidadãos da extinta URSS aderem às fileiras extremistas

Moscou, 1 Jul 2016 (AFP) - As autoridades turcas afirmaram que os autores do triplo atentado suicida que causou 44 mortes e mais de 260 feridos no aeroporto de Istambul eram um russo, um uzbeque e um quirguiz, originários de países que pertenceram à antiga União Soviética (URSS).

Milhares de cidadãos da extinta União Soviética se uniram a grupos extremistas no Iraque e na Síria, em particular, ao Estado Islâmico (EI).

Quantos são?Cerca de 7.000 pessoas de países que pertenceram à União Soviética se uniram a grupos extremistas na Síria e no Iraque, de acordo com os serviços de segurança russos.

Entre eles, há pelo menos 2.900 russos, a maioria proveniente das instáveis repúblicas do Cáucaso russo, como Chechênia e Daguestão.

Junto com o Cáucaso, que tradicionalmente fornece batalhões de combatentes islâmicos desde o início da década de 1990 (na Bósnia, em seguida, no Afeganistão e no Paquistão, antes do Iraque e Síria), são os países da Ásia Central que fornecem os maiores contingentes de extremistas estrangeiros.

Entre 2.000 e 4.000 pessoas da região se juntaram às fileiras do EI, de acordo com o círculo de reflexão Internacional Crisis Group.

De acordo com especialistas do Conselho Russo de Relações Internacionais (RIAC, na sigla em inglês), no final de 2014, as organizações extremistas na Síria e no Iraque contavam em suas fileiras com mais de 500 uzbeques, 360 turcomanos, 250 cazaques, 190 tadjiques e cerca de 100 quirguizes.

Quem são?O EI e a Frente Al-Nusra, a facção síria da Al-Qaeda, contam com muitos chechenos em suas tropas e, por vezes, em posições importantes.

Após a segunda guerra da Chechênia, no início dos anos 2000, a rebelião chechena foi gradualmente islamizada em seu avanço no Cáucaso russo.

Depois de fracassar em seu objetivo de criar um emirado na região, porém, muitos combatentes começaram a se debandar em massa para a Síria no verão de 2012, enquanto os grupos remanescentes juraram lealdade ao EI.

O mais conhecido deles é o chamado Omar al-Shishani, várias vezes dado como morto pelos americanos. Nativo da Garganta de Pankisi, na Geórgia, é considerado um dos comandantes mais temidos do Estado Islâmico.

Os meios de comunicação turcos identificaram um checheno chamado Akhmed Chataiev como mentor do atentado no aeroporto turco. Ele seria o líder do EI em Istambul e também teria organizado os ataques perto de Taksim (em março) e Sultanahmet (janeiro).

No Tadjiquistão, a deserção em maio de 2015 de um ex-chefe das forças especiais para se unir ao EI na Síria causou polêmica, após a divulgação de um vídeo, no qual ameaçava as autoridades e convocava seus compatriotas a pegar em armas.

Ciente do interesse despertado na antiga União Soviética, a organização extremista lançou em maio de 2015 uma versão em russo de sua revista oficial, intitulada Istok ("A Fonte").

Entre outros pontos, o presidente Vladimir Putin justificou sua intervenção no final de setembro no conflito sírio pelo seu desejo de se antecipar e evitar que extremistas russos retornem à Rússia para cometer ataques.

Após mais de cinco meses de bombardeios, o ministro russo da Defesa, Serguei Shoigu, comemorou o fato de ter matado cerca de 2.000 extremistas.

Analistas do RIAC consideram que o regresso de combatentes do EI ao país é uma das maiores ameaças à Rússia.

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