Sobrevivente de Bangladesh é atormentado por gritos de vítimas

Dacca, 3 Jul 2016 (AFP) - Um sobrevivente do ataque terrorista lançado na noite de sexta-feira em um restaurante de Bangladesh contou neste domingo à AFP que "rezou a Alá" e "vomitou várias vezes" ao ouvir os gritos das pessoas assassinadas.

Este funcionário do Holey Artisan Bakery, um restaurante localizado no luxuoso bairro de Gulshan, afirmou que se salvou por ser muçulmano. Os terroristas disseram aos reféns que não atacariam os muçulmanos.

"Levaram-me junto a dois dos meus colegas e nos obrigaram a sentar, com a cabeça apoiada em uma mesa", relatou este homem, que pediu para não ser identificado.

"Rezei a Alá. Vomitei várias vezes. Disseram-nos para não levantar a cabeça, mas durante uns segundos levantei ligeiramente a cabeça e vi um corpo jazendo no chão em uma poça de sangue", contou.

Este sobrevivente disse ter pensado que não sairia vivo deste pesadelo que começou na noite de sexta-feira e durou onze horas. Vinte reféns, incluindo 18 estrangeiros, foram massacrados.

O ministro do Interior de Bangladesh informou à AFP que provavelmente foram assassinados nos dez primeiros minutos do ataque.

"Acredito que foram assassinados pouco depois que os criminosos entraram no restaurante", confirmou o bengalês que foi feito refém.

"Ouvi muitos gritos, choro e disparos nos primeiros minutos. Depois houve uma longa pausa", contou, acrescentando que "por volta da meia-noite voltamos a ouvir disparos, mas em seguida a calma voltou".

"A luz estava apagada, mas podia ver clientes bengaleses sentados perto de nós em outra mesa. Ninguém falava", disse.

"Mais tarde, nos perguntaram se jejuávamos pelo Ramadã. Disse que sim e nos trouxeram comida, para que pudéssemos comer antes do nascer do sol. Comi muito pouco e bebi água", explicou.

"Eu os vi carregando armas e facões o tempo todo. Iam de um lado para o outro, não se sentavam nunca", relatou.

"Quando viram que as tropas iam lançar um ataque, vieram nos ver uma última vez e nos pediram que não manchássemos o nome do Islã e que fôssemos bons muçulmanos", falou, acrescentando que "saíram dali e ouvimos tiros. Minutos depois, tudo terminou".

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