Farage deixa liderança do UKIP após realizar o sonho do Brexit

Londres, 4 Jul 2016 (AFP) - Nigel Farage anunciou nesta segunda-feira sua renúncia como líder do partido britânico UKIP, depois de cumprir o sonho do Brexit, ao mesmo tempo que o governo confirmou que pretende reduzir o imposto sobre sociedades, uma medida para evitar uma fuga das empresas.

"A vitória da 'saída' no referendo significa que minha ambição política foi alcançada", afirmou Farage, eurodeputado, em uma entrevista coletiva em Londres.

Farage, ex-corretor de matérias-primas na City de Londres, assumiu o comando do Partido para a Independência do Reino Unido (UKIP) em 2006. Desde então, renunciou à liderança duas vezes, em 2009 e 2015, mas acabou voltando atrás.

Ele foi eleito pela primeira vez para o Parlamento Europeu em 1999 e desde então confirmou sua cadeira em mais três eleições europeias. Sua grande derrota foi nunca ter conseguido entrar no Parlamento britânico, onde o UKIP tem apenas um deputado, o ex-integrante do Partido Conservador Douglas Carswell.

Ao parafrasear um dos slogans da campanha - "Quero recuperar meu país" -, Farage, de 52 anos, disse que deseja recuperar sua vida de sempre.

"Vim para este combate a partir do mundo dos negócios porque queria que fôssemos uma nação que governa a si mesma, não para virar um político de carreira", disse o líder do partido anti-UE e anti-imigrantes.

"O UKIP está em boa posição e continuará, com meu pleno apoio, atraindo um voto significativo", completou.

A saída da UE provocou um terremoto político no Reino Unido e resultou, embora por motivos distintos, nas renúncias de Farage, do primeiro-ministro David Cameron e na desistência do conservador e líder pró-Brexit Boris Johnson de disputar o posto de chefe de Governo, após a traição de seu principal assessor na campanha do referendo, o ministro Michael Gove.

No outro extremo, o líder trabalhista Jeremy Corbyn luta para continuar no cargo depois que a maioria dos deputados aprovou uma moção de censura contra seu nome.

O Brexit (saída britânica da UE) triunfou no referendo de 23 de junho, depois de uma campanha intensa liderada por Farage e pelo conservador Boris Johnson. Mas foi o primeiro, no entanto - com o partido de apenas um deputado no Parlamento -, o que, com sua retórica incendiária, fez o trabalho sujo: ele jogou o tema imigração no centro dos debates, justamente o que desejavam seus eleitores.

A polêmica do cartaz com uma fila de refugiados que representavam uma ameaça hipotética ao Reino Unido, divulgado no mesmo dia em que a deputada trabalhista Jo Cox foi assassinada por um simpatizante de extrema-direita, não provocou a perda de apoio.

Novas medidas econômicas para minimizar o BrexitO anúncio de Farage dominou um dia em que o governo confirmou que estuda reduzir o imposto de sociedades para abaixo de 15%, com o objetivo de frear a fuga de empresas após o Brexit, uma medida que pode irritar os sócios europeus e render acusações de concorrência desleal.

O resultado do referendo levou algumas empresas a congelar os investimentos ou transferir parte de suas atividades, mesmo antes da concretização da saída da UE. Além disso, alguns analistas acreditam que o país avança para uma recessão.

O governo já planejava reduzir o imposto sobre as empresas de 20% a 19% em 2017, e a 17% em 2020, mas a nova redução, para a qual não há data, transformaria a Grã-Bretanha na grande economia com menor taxa, próxima dos 12,5% cobrados pela Irlanda.

"Temos que nos concentrar no futuro e na viagem que tempos pela frente", disse o ministro das Finanças, George Osborne, ao jornal Financial Times, que revelou os planos.

A oposição trabalhista criticou Osborne pela medida.

"Ao invés de transformar o país em um paraíso fiscal e área de recreio para os mais ricos, o ministro deveria concentrar-se em abordar os problemas reais", disse John McDonnell, porta-voz das Finanças do Partido Trabalhista.

Osborne anunciou na semana passada que o objetivo de alcançar um superávit orçamentário até 2020 foi seriamente prejudicado pelo Brexit, embora muitos analistas já o considerassem inviável antes mesmo do resultado do referendo.

O futuro de Osborne está em suspenso, após sua enérgica defesa da permanência na UE e levando em consideração que em 9 de setembro o Reino Unido terá um novo primeiro-ministro, ao final do congresso do Partido Conservador.

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