MP do Vaticano pede condenação inédita de jornalista por 'Vatileaks'

Cidade do Vaticano, 4 Jul 2016 (AFP) - O Ministério Público do Vaticano solicitou nesta segunda-feira (4) a condenação de quatro dos cinco réus processados pela divulgação de documentos confidenciais da Santa Sé, no caso conhecido como "Vatileaks".

Entre os condenados está o jornalista italiano Gianluigi Nuzzi.

"O promotor pediu um ano de prisão para mim por cumplicidade moral e absolveu outro jornalista, Emiliano Fittipaldi", tuitou Nuzzi, indignado.

Esta é a primeira vez que o menor Estado do mundo processa dois jornalistas por vazamento de documentos sobre malversação e desperdício de recursos da Santa Sé, o que foi classificado por organizações de defesa da liberdade de imprensa e pela própria imprensa italiana como uma "nova Inquisição".

A absolvição de Fittipaldi foi pedida por falta de provas, enquanto os demais envolvidos foram condenados a quase quatro anos de prisão.

O chamado "promotor de Justiça" do Vaticano, cargo equivalente ao de procurador, pediu a pena mais severa (3 anos e nove meses de prisão) para a consultora italiana Francesca Chaouqui. Ela é acusada de ter sido a responsável e a inspiradora da criação de uma "associação criminosa" com o objetivo de divulgar notícias e documentos confidenciais. Como integrante da comissão organizada pelo papa Francisco para uma reforma financeira do Vaticano, Francesca tinha acesso a esse material.

Uma pena de 3 anos e 1 mês foi pedida para o prelado espanhol ligado ao Opus Dei, monsenhor Ángel Vallejo Balda, acusado de ter um "papel limitado" no caso. Ele confessou ter divulgado dados importantes quando era responsável pela extinta Comissão Investigadora dos Organismos Econômicos e Administrativos da Santa Sé (Cosea), fundada pelo papa Francisco para estudar a reforma das finanças vaticanas.

O religioso espanhol reconheceu que entregou a Gianluigi Nuzzi as senhas para que ele pudesse ter acesso ao material confidencial sobre as polêmicas finanças da Santa Sé.

O MP também pediu pena de 1 ano e 1 mês para Nicola Maio, assistente de Balda.

"O veredicto será conhecido na quarta, ou na quinta. Tenho certeza de que vão condenar todos nós", postou Francesca Chaouqui em sua página no Facebook.

Ela chegou ao tribunal com seu bebê recém-nascido para assistir às alegações finais do MP.

"Eles vão falar com ódio, vão pedir minha condenação sem provas por um crime que não cometi", acrescentou a consultora.

"Vou ouvir em silêncio, com Elías Pietro Antonio [seu filho] nos braços. Eu o levo, porque este julgamento foi calvário para ele também", comentou.

O julgamento começou em novembro passado, depois da detenção do bispo Vallejo Balda e da acusação contra Chaouqui de ter vazado documentos confidenciais para a imprensa. O ato é considerado crime pela Justiça vaticana.

Os dois jornalistas, Gianluigi Nuzzi e Emiliano Fittipaldi, usaram esses documentos para escrever os livros "Via Crucis" e "Avarizia", respectivamente, nos quais denunciam as falhas, a má gestão financeira no Vaticano e a vida de luxo de alguns cardeais que vivem em Roma, apesar da vontade de Francisco de querer reformar a entidade.

Uma nova audiência está prevista para esta terça (5), quando acontecem as últimas alegações dos advogados. O veredicto é esperado para esta quarta, ou quinta-feiras.

bur-kv/eg/tt

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos