Fluxo de menores migrantes da América Central tem queda sutil

San José, 7 Jul 2016 (AFP) - A onda de menores da América Central que migram para os Estados Unidos sem a companhia de adultos não parou desde o início da crise em 2014, ainda que esteja em medida muito menor do que naquele momento, disse uma alta funcionária americana à AFP.

"O fluxo nunca parou, mas não está no nível que esteve no verão de 2014, que foi quando realmente ganhou a atenção do público dos Estados Unidos", assinalou Anne Richard, subsecretária de Estado para População, Migrantes e Refugiados.

Calcula-se que até 90.000 menores, principalmente da América Central, tenham sido interceptados em 2014 ao tentar entrar em território americano.

Richard participou, na Costa Rica, de um fórum organizado pela ONU e pela OEA (Organização dos Estados Americanos) para buscar respostas sobre a onda migratória vinda de El Salvador, Honduras e Guatemala, o Triângulo Norte da América Central, êxodo provocado pela violência e pobreza.

A diplomata recordou que diante da chegada dos menores oriundos desses três países, Washington lançou uma série de programas para desestimular os menores a tentarem realizar esta viagem fadada ao fracasso.

Um desses programas permitiu que, nos casos em que existir um ou dois pais vivendo legalmente nos EUA, estes podem pedir que as crianças se reencontrem com eles sem a necessidade de realizar a perigosa viagem por terra.

"Esse programa se estabeleceu, foram recolhidas solicitações e agora 600 crianças se encontraram com suas famílias nos Estados Unidos. Nas próximas semanas e meses milhares mais continuarão o processo", indicou Richard.

Admitiu que este tipo de iniciativa "não resolve o problema inteiro, mas é uma contribuição".

Fazer mais pelos deslocadosWashington e os países do Triângulo Norte criaram a Aliança para a Prosperidade nessa região com um suporte de 750 milhões de dólares dos Estados Unidos para fomentar o desenvolvimento e dissuadir a migração.

Richard recordou que seu governo tem trabalhado com organismos internacionais para fortalecer a capacidade dos governos da região a "responder apropriadamente às pessoas inocentes que buscam a segurança" fora de seus países.

Destacou a relevância de o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), o italiano Filippo Grandi, estar presente no fórum da Costa Rica.

"É importante que uma pessoa na posição dele não passe todo o tempo em outros focos conflitantes e se esqueça da América Central. Ele também visitou a Colômbia e o Equador, então está prestando atenção a este hemisfério", comentou.

Disse que uma preocupação para os Estados Unidos é assegurar que as pessoas que fogem de seu país possam encontrar um lugar seguro e tenham a possibilidade de pedir asilo.

"Por isso estamos conversando com os países ao norte e ao sul do Triângulo Norte para falar das condições nas quais as pessoas [que migram] são recebidas", assinalou.

Elogiou o caso da Costa Rica, que tem uma tradição de receber refugiados e pessoas que estão à procura de asilo, dizendo que ela poderia se tornar um modelo de boas práticas.

Adiantou que o presidente americano, Barack Obama, se reunirá no dia 20 de setembro, em Nova York, com os governantes de países que estão dispostos a "fazer mais" pelos deslocados no mundo, um dia depois de uma discussão sobre o tema durante a assembleia geral da ONU.

"Inclusive àqueles que já fazem muito, estamos pedindo urgentemente que façam ainda mais para mostrar ao mundo a magnitude da atual crise de deslocados ao redor do mundo e que ela requer que todos façamos mais do que temos feitos", apontou.

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