May e Leadsom vão disputar cargo de primeira-ministra britânica

Londres, 7 Jul 2016 (AFP) - O Reino Unido terá em setembro uma primeira-ministra depois que os deputados conservadores escolheram nesta quinta-feira Theresa May e Andrea Leadsom como finalistas das primárias para substituir David Cameron.

Depois de duas rodadas de votação dos deputados, que derrubaram dois dos cinco candidatos iniciais, agora caberá aos 150.000 militantes conservadores escolher sua líder.

Na votação na quinta-feira, May, a ministra do Interior e pró-UE, ganhou o voto de 199 dos 330 deputados; Leadsom, pró-Brexit, colhidas 84, enquanto o controverso Michael Gove estava fora da corrida, obtendo 46 votos. "Os resultados mostram que o Partido Conservador pode ser anexado. E será sob a minha liderança", disse May. "Precisamos de uma liderança forte e comprovada para negociar o melhor acordo possível para a partida do Reino Unido da União Europeia, unir nosso partido e fazer do Reino Unido um país amável para todos, não apenas para alguns", acrescentou .

Nesta quinta-feira, May, se posicionou à favor da permanência do Reino Unido na União Europeia, recebeu 199 dos 330 deputados; Leadsom, que fez campanha pelo Brexit, conseguiu 84 votos, enquanto o polêmico Michael Gove ficou fora da disputa com apenas 46 votos.

"Os resultados mostram que o Partido Conservador pode estar unido. E o estará sob a minha liderança", garantiu May.

"Precisamos de uma liderança forte para negociar o melhor acordo possível para a saída do Reino Unido da União Europeia, unir nosso partido e fazer da Grã-Bretanha um país bom para todos, e não apenas para uns poucos", acrescentou.

Uma primeira-ministra negociará o BrexitDavid Cameron anunciou sua renúncia no dia 24 de junho, após o triunfo do Brexit, que se tornará efetiva com a escolha de seu sucessor, em 9 de setembro.

Seu sucessor terá a responsabilidade de invocar o Artigo 50 do Tratado Europeu de Lisboa para começar a negociar a ruptura com a União Europeia (UE), um processo que deve durar dois anos.

Neste período, Londres e Bruxelas terão que chegar a acordos em uma infinidade de temas, desde as novas regras comerciais entre ambos até o destino dos milhões de britânicos na UE e dos milhões de europeus no Reino Unido.

O ministro das Relações Exteriores, Philip Hammond, assegurou que não é o momento de invocar o artigo europeu. "Fazer isso supõe acionar o cronômetro e não acredito que, neste momento, e por várias razões, estejamos em uma posição para iniciar negociações substantivas e imediatas".

Neste sentido, o jornal Daily Telegraph indicou que o Reino Unido não tem negociadores suficientes e que está buscando opções no exterior.

Duas Damas de FerroMay ou Leadsom será a segunda mulher a chefiar o governo britânico depois da também conservadora Margaret Thatcher, e ambas reivindicam abertamente seu legado.

Leadsom, que nas últimas horas precisou corrigir um currículo que a apresentava como uma especialista do mundo das finanças nos 25 anos que trabalhou na City, declarou nesta quinta que Reino Unido pode ser "a maior nação do mundo" após o Brexit.

Além disso, minimizou o impacto do resultado do referendo, dizendo que "as previsões do desastre da libra não se cumpriram", embora na quarta-feira a moeda tenha alcançado seu nível mais baixo em 31 anos (1 libra = 1.2798 dólares) e já tendo perdido 15% desde 23 de junho.

"Ninguém tem nada a temer em nossa decisão de sair da UE", insistiu Leadsom.

May desejava a permanência na UE, mas pouco se manifestou durante a campanha, por isso não terá dificuldades em construir pontes com o setor que apoiou o Brexit do partido. Agora ela aparece como a candidata de consenso.

May, de 59 anos, é filha de um reverendo, como Angela Merkel, e é casada com o banqueiro Philip John May. Eles não têm filhos. Ela adotou uma postura linha dura contra a imigração dentro do governo Cameron, que ocupa desde 2010.

A ministra iniciou na política em 1986, depois de estudar na Universidade de Oxford e trabalhar brevemente no Banco da Inglaterra.

Leadsom, por sua vez, tem 53 anos, é casada e tem três filhos, e era praticamente desconhecida antes da campanha do referendo em 23 de junho. Agora ela se destaca como a grande esperança dos apoiantes do Brexit.

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