Promotoria quer processo por assédio moral contra a France Télécom

Paris, 7 Jul 2016 (AFP) - A Promotoria de Paris solicitou um processo por "assédio moral" contra a France Télécom e seu ex-presidente Didier Lombard no caso da onda de suicídios de funcionários da empresa, informou uma fonte judicial.

A France Télécom e Didier Lombard são suspeitos de aplicar uma política de desestabilização dos funcionários para acelerar os pedidos de demissão na empresa, afetada por uma onda de suicídio em 2008 e 2009.

A France Télécom, agora Orange, é a primeira empresa do índice CAC 40 da Bolsa de Paris acusada de assédio moral. Um processo obrigaria a justiça a pronunciar-se sobre o primeiro caso de assédio em grande escala em uma empresa deste porte.

No requerimento, com data de 22 de junho, a Promotoria também pede um processo por assédio moral para outros dois executivos, Louis-Pierre Wenes, ex-número dois da empresa, e Olivier Barberot, ex-diretor de Recursos Humanos, e para quatro executivos por cumplicidade, de acordo com a fonte judicial.

O juiz de instrução, que coordena o caso que provocou grande comoção entre a opinião pública francesa, deve decidir sobre os próximos passos.

A Promotoria alega que France Télécom aplicou a partir de 2007, com "ações repetidas", uma política empresarial que teve como efeito "desestabilizar" os funcionários e "criar um clima profissional de ansiedade", em um contexto delicado de reestruturação, segundo uma fonte próxima à investigação.

Trinta e nove vítimas são citadas, especialmente no período 2006-2011: 19 cometeram suicídio, 12 tentaram e oito sofreram depressão ou pediram licença.

De acordo com os sindicatos e a direção, 35 funcionários se mataram em 2008 e 2009.

Para os demandantes, os suicídios foram a consequência de um "sistema" que pretendia afastar da empresa os funcionários a partir de 2004, quando o Estado passou a ser um acionista minoritário.

Depois de ser privatizada, a France Télécom fixou a meta de suprimir 22.000 postos de trabalho entre 2006 e 2008, além de mudar de função 10.000 funcionários.

"As torpes declarações de Didier Lombard ofereceram uma oportunidade para montar um processo fundado no assédio moral, que não se baseia em nenhum elemento sério", declarou Jean Veil, advogado do ex-presidente.

"Em 2007 sairão de uma forma ou de outra, pela janela ou pela porta", afirmou Didier Lombard em 2006, durante uma reunião de executivos da empresa.

Acostumado a declarações polêmicas, Lombard disse em 2010 que "o suicídio estava na moda", uma frase que provocou um grande escândalo e depois a sua renúncia.

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