Deputado holandês quer promover referendo sobre saída da UE

Haia, 8 Jul 2016 (AFP) - O deputado holandês de extrema-direita Geert Wilders prometeu na quinta-feira fazer todo o possível para realizar na Holanda um referendo sobre uma possível saída da União Europeia, apesar das perturbações causadas pelo Brexit, e fechar as fronteiras aos migrantes muçulmanos.

Apesar de uma primeira tentativa fracassada com uma moção no Parlamento, rejeitada por maioria esmagadora, Geert Wilders prometeu fazer um referendo sobre um "Nexit", tema de campanha de seu Partido da Liberdade (PVV) nas próximas eleições parlamentares, previstas para março.

Ele ignorou as consequências da votação britânica de 23 de junho, que fez a libra britânica despencar ao seu nível mais baixo em três décadas, os movimentos de pânico no mercado imobiliário e as advertências para a estabilidade financeira da Grã-Bretanha.

"Esta é uma grande vitória, a Grã-Bretanha recuperou a sua soberania e tornou-se novamente um país livre e independente", declarou em entrevista à AFP.

A adaptação britânica será temporária, salientou o deputado, conhecido por seu penteado e cor de cabelo estranhos.

"No longo prazo, a nível político, mas também econômico, a Grã-Bretanha provará que fez a escolha certa e que se livrou de todos estes políticos de Bruxelas que não foram eleitos, mas que mesmo assim decidem as políticas monetárias, fiscais e de imigração", assegurou.

Quinta economia na zona do euro, a Holanda estaria em uma posição melhor se deixasse a UE, insiste o deputado, acrescentando que seria benéfico voltar ao florim.

Na semana passada, a sua proposta sobre a realização de um referendo foi rejeitada por 124 votos contra 14, e os analistas disseram que há pouca vontade entre os outros partidos políticos para trabalhar com o PVV.

"Embora não possamos comparar com a União Soviética, Bruxelas é uma instituição totalitária, ao estilo soviético", acrescentou.

Questionado sobre a possibilidade de mudar a UE, o deputado disse que "é mais fácil mudar a Coreia do Norte do que a União Europeia".

Deputado polêmicoAtravessando a pior crise migratória na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, as pesquisas apontam o PVV à frente dos partidos da coalizão governante, os trabalhistas do PvdA e os liberais do VVD, liderados pelo primeiro-ministro Mark Rutte.

No ano passado, as pesquisas previam até 38 assentos dos 150 da câmara baixa do Parlamento, mas a tendência acabou sendo contida. Na quinta-feira, uma pequisa Ipsos alocou 28 assentos, seis a mais que seus atuais doze assentos.

A questão dos refugiados polariza um país que, no entanto, é conhecido por sua tolerância multicultural: debates locais e nacionais foram marcados por trocas de insultos, cartas ameaçadoras e até mesmo violência física.

Geert Wilders, cujo processo judicial por incitar o ódio e a discriminação deve começar em outubro, assegura que pararia o fluxo de refugiados e "fecharia as fronteiras para as pessoas que chegam de países muçulmanos".

"Nós não somos xenófobos, mas somos contra o fluxo de uma cultura que se opõe ao que acreditamos", acrescentou, dizendo que a cultura judaico-cristã é "superior".

Político melhor protegido na Holanda desde o assassinato em 2004 do polêmico cineasta e crítico ferrenho do Islã Theo van Gogh, Wilders estaria na lista negra da Al-Qaeda.

O líder do PVV diz opor-se a qualquer tipo de violência, incluindo aquela contra os muçulmanos, apesar de seus comentários sobre o Alcorão e o Islã serem percebidos como altamente ofensivos por muitos muçulmanos moderados.

Ele também afirma apoiar o candidato americano Donald Trump e alega ter sido convidado para a convenção do Partido Republicano em julho, em Cleveland, Ohio.

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