Medicina de precisão avança contra o câncer

Washington, 8 Jul 2016 (AFP) - Um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos testou com sucesso em laboratório 265 drogas sobre uma ampla amostra de células tumorais que continham um enorme número de mutações genéticas responsáveis por diferentes tipos de câncer, um avanço considerado importante na medicina de precisão.

Na maioria dos casos, os cientistas, cujo estudo foi publicado nesta semana na revista Cell, constataram que estes anticancerígenos, já no mercado ou em desenvolvimento, destruíram no laboratório as células portadoras de mutações genéticas de muitos tipos de câncer.

O estudo mostra como os tratamentos existentes poderiam ser utilizados para tratar novos grupos de pacientes ou ser mais eficazes nos pacientes cujos tumores têm anomalias genéticas específicas.

Este avanço vai ajudar também os pesquisadores a desenharem novos agentes capazes de atacar cânceres em função da sua assinatura genética.

"Este é o começo de um processo de pesquisa para determinar como mirar em diferentes populações de pacientes com os anticancerígenos específicos, uma pesquisa impossível há alguns anos porque não tínhamos sequenciado suficientemente o DNA dos tumores", explica Mathew Garnett, biólogo no Wellcome Trust Sanger Institute, no Reino Unido, e um dos principais autores do estudo.

Os cientistas com frequência dependem de cultivos de células cancerosas in vitro para começar a desenvolver novas drogas anticancerígenas.

"Não podemos testar centenas de substâncias experimentais contra o câncer em um só paciente, é simplesmente impossível, mas é possível fazê-lo nas linhagens de células no laboratório, que podem ser expostas a um grande número de medicamentos diferentes para determinar sua eficácia respectiva", disse Ultan McDermott, oncologista e pesquisador no Singer Institute e coautor deste trabalho.

Para este estudo, os cientistas utilizaram o Atlas do genoma do câncer dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) e o Consórcio Internacional do Genoma do Câncer, que reuniram a informações genéticas de mais de 11.000 amostras de tumores.

Em seguida, as compararam com cerca de mil linhagens de células cancerosas no laboratório para identificar aquelas que tinham os mesmos tipos de mutações que os tumores.

"Uma grande quantidade destas linhagens celulares contém as características moleculares que são importantes nos cânceres humanos", disse McDermott.

A partir disso, os pesquisadores puderam predizer as respostas de diferentes células tumorais a 265 drogas anticancerígenas já existentes ou em desenvolvimento.

Objeto de uma importante iniciativa do presidente Barack Obama lançada em 2015, a medicina de precisão consiste em tratar os pacientes segundo as anomalias genéticas específicas do seu tumor, em vez de em função do seu tipo de câncer.

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