Sudão do Sul: 150 mortos no quinto aniversário da independência

Juba, 9 Jul 2016 (AFP) - A tensão predominava neste sábado nas ruas do Sudão do Sul, que comemorava o quinto aniversário da sua independência, após os confrontos entre o exército e ex-rebeldes na capital, Juba, que deixaram 150 soldados mortos na sexta-feira.

"O número de vítimas supera 150 mortos", afirmou Roman Nyarji, porta-voz do ex-líder rebelde Riek Machar, atual vice-presidente do país.

Nyarji advertiu que o número de vítimas pode aumentar

"Estamos esperando um balanço de vítimas maior, porque duas unidades da guarda presidencial foram mobilizadas ontem", disse.

Os confrontos começaram na véspera do quinto aniversário da independência do país, reavivando os temores sobre o fracasso do frágil processo de paz após uma guerra civil de mais de dois anos que deixou dezenas de milhares de mortos.

O conflito começou com uma luta de poder entre o chefe de Governo, Salva Kiir, e seu segundo, Riek Machar.

O tiroteio aconteceu durante um encontro de Kiir e Machar no palácio presidencial, em consequência de um confronto entre os seguranças.

A confusão levou ao tiroteio, que aumentou de intensidade até virar um combate com armas pesadas em vários pontos de Juba.

Neste sábado, o clima era tenso nas ruas quase desertas de Juba, sob fortes medidas de segurança.

'Não perder a esperança'Ao contrário dos anos anteriores, não está prevista nenhuma celebração oficial da independência devido à falta de fundos do governo.

Peter Mawa, professor de 40 anos, disse que seus sentimentos estão divididos entre o orgulho pela independência e a tristeza pelos recorrentes episódios de violência.

"Acho que temos motivos para comemorar, mesmo que seja só nas nossas casas", afirmou, acrescentando que os sul-sudaneses não deveriam "perder a esperança".

Para John Manut, de 35 anos, o importante é comemorar, apesar das circunstâncias.

"Este é o dia que nos fez sul-sudaneses. Este dia nos lembra da nossa luta para conquistar a independência", disse.

Desde julho de 2011, porém, o país tem vivido mais anos de guerra que de paz.

Em dezembro de 2013 estourou um conflito interno que começou com confrontos entre os partidários de Kiir e os de Machar. A violência deixou dezenas de milhares de mortos e obrigou cerca de três milhões de personas a abandonarem suas casas.

Amparado pelos acordos de paz assinados em 2015, Machar voltou a Juba e se integrou a um governo de unidade nacional com Kiir.

Mas as hostilidades continuaram no território sul-sudanês.

A crise humanitária se soma à econômica, em um país onde a inflação galopa sem controle e a moeda já perdeu 90% do valor que tinha em 2011.

O conflito arruinou a indústria petroleira do país e destruiu várias localidades importantes.

Após os incidentes da sexta-feira, a embaixada britânica recomendou a seus cidadãos que não saiam às ruas e que, se possível, abandonem o país.

"Os funcionários da embaixada britânica permanecerão encerrados e vamos reduzir a delegação ao mínimo", informou o ministério das Relações Exteriores.

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