Rebeldes fracassam ao tentar recuperar última via de abastecimento em Aleppo

Beirute, 10 Jul 2016 (AFP) - Os rebeldes sírios fracassaram neste domingo (10) em uma tentativa de recuperar sua última rota de abastecimento na cidade de Aleppo, uma operação que resultou na morte de 29 combatentes.

Quase 200.000 pessoas vivem nos bairros ao leste da segunda maior cidade síria, um dos pontos estratégicos do conflito, na região norte do país, dividida desde 2012 entre a zona leste controlada pelos rebeldes e a zona oeste, nas mãos do regime.

As tropas do governo avançam em uma tentativa de cortar totalmente as rotas de abastecimento e preparar o caminho para retomar a cidade.

No sábado, os rebeldes iniciaram uma contraofensiva para reabrir a rota de Castello, bloqueada na quinta-feira (7) pelas tropas do governo, informou a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Ao menos 29 rebeldes dos grupos islamitas Faylaq al-Sham e Al-Nusra, o braço sírio da Al-Qaeda, morreram quando tentavam reabrir a rota Castello. Segundo o OSDH, integrantes das forças pró-governo também morreram no confronto.

"O ataque terminou, e a estrada continua completamente fechada", afirmou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Além disso, pelo menos nove civis, entre eles seis crianças, morreram em bombardeios de aviões não identificados em uma aldeia da periferia oeste de Aleppo, ainda segundo o OSDH.

Temores entre civisOs combates aconteceram depois de o governo sírio ter prolongado por mais 72 horas, no sábado, a trégua iniciada na quarta-feira (6).

No sábado, as forças do regime de Bashar al-Assad conseguiram se aproximar a 500 metros da rota Castello. Desde quinta-feira, já estavam posicionadas para vigiar o trecho da estrada e com possibilidade de abrir fogo contra pessoas, ou veículos, que transitam pela rota, utilizada tanto por civis como por rebeldes.

Os combatentes rebeldes tentam dissuadir os civis de utilizar a via, embora a localidade esteja isolada.

Neste domingo, foram registrados bombardeios na região. O Observatório indicou que, na sexta, um homem e seus dois filhos morreram.

Há dois anos, as forças de Al-Assad tentam cortar esta via para isolar os combatentes em Aleppo, uma das posições-chave do conflito.

Na parte controlada pelo governo, os moradores não escondem o medo de represálias dos rebeldes, especialmente depois da morte de 41 pessoas na sexta-feira.

"Não saímos, mas até mesmo ficar em casa virou algo perigoso", disse Abdel Wahhab Qabani, de 25 anos.

Denúncia pela morte de Marie ColvinAo mesmo tempo, a família da jornalista americana Marie Colvin apresentou uma denúncia nos Estados Unidos com uma acusação ao regime de Al-Assad por ter matado a correspondente, "deliberadamente e com premeditação", em um bombardeio em Homs em 2012.

O Exército sírio conseguiu interceptar as comunicações da repórter do jornal Sunday Times na zona cercada do bairro de Bab Amr, para depois bombardear a área em que estava, afirma a ação.

O fotógrafo francês Rémi Ochli também morreu no bombardeio, em 22 de fevereiro de 2012.

A guerra na Síria explodiu em 2011, depois que o regime reprimiu com extrema violência os manifestantes que pediam reformas. Desde então, deixou mais de 280.000 mortos e milhões de deslocados.

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