Califórnia não está preparada para o 'Big One', alertam especialistas

Los Angeles, 12 Jul 2016 (AFP) - Além do sol, das palmeiras e de Hollywood, há uma grande certeza na Califórnia: a de que um violento terremoto vai ocorrer em algum momento.

Um relatório recente afirma que este estado do sudoeste dos Estados Unidos não está preparado para o 'Big One' (o grande), e as autoridades locais e as principais empresas têm de enfrentar essa realidade para "evitar que o desastre inevitável se transforme em uma catástrofe".

Infraestrutura antiga, riscos sobre o abastecimento de água e de incêndios destrutivos são alguns dos pontos fracos que devem ser resolvidos na perspectiva de um terremoto de até oito graus de magnitude na escala Richter ao que a Califórnia está exposta, indicou um grupo de empresários e políticos no relatório.

O calcanhar de Aquiles do estado, segundo o documento, é o Cajon Pass, uma estreita passagem montanhosa onde a impressionante falha geológica de San Andreas passa debaixo de vias vitais como estradas, trechos ferroviários, aquedutos, oleodutos, gasodutos e cabos de alta tensão da rede elétrica.

Um sismo provocado por movimentos de placas da falha de San Andreas cortaria quase toda a passagem para o sul do estado, impedindo o fornecimento de ajuda humanitária a cerca de 20 milhões de pessoas e complicando o trabalho de reconstrução, afirmam os especialistas.

As rupturas de oleodutos poderiam gerar explosões e incêndios que seriam difíceis de controlar.

"Quando o terremoto ocorrer, todos os aquedutos se romperão ao mesmo tempo", explicou à AFP a sismóloga Lucy Jones, assessora da comissão de Redução de Riscos de Desastres do sul da Califórnia, que produziu o relatório.

A única maneira de remediar isto, segundo Jones, é buscar fontes de água alternativas, incluindo aquíferos poluídos debaixo da região de Los Angeles que poderiam ser tratados, embora a um custo muito alto.

"A melhor defesa contra um aqueduto partido é não precisar de um aqueduto", afirmou Jones.

Instalar válvulas automáticas de interrupção nos gasodutos e oleodutos próximos à falha de San Andreas também poderia evitar incêndios, indica o relatório.

A energia solar poderia servir para manter a comunicação com o resto do mundo quando o 'Big One' tiver cortado o abastecimento de eletricidade, acrescentou Jones.

'Todos juntos nessa'Muitos edifícios e casas no sul da Califórnia correm o risco de desabar. Estas localidades deveriam seguir o exemplo de Los Angeles e exigir a modernização das suas estruturas, recomendam os especialistas.

Além disso, as normas de construção devem ser atualizadas para garantir também que as estruturas possam continuar funcionando após um grande terremoto.

"Hoje estamos incorporando uma grande vulnerabilidade econômica nas construções", comentou Jones. "Não vamos matar pessoas com estes edifícios, mas não poderemos usá-los depois, e isso é grave".

"Por um custo 1-2% maior poderíamos, muito provavelmente, construir edifícios que continuem sendo utilizáveis", garantiu.

Segundo simulações da Agência geológica americana (USGS), um terremoto de 7,8 graus de magnitude na ponta sul da falha de San Andreas causaria um tremor de cerca de dois minutos, mataria ao menos 1.800 pessoas, deixaria cerca de 53.000 feridos e geraria danos materiais no valor de 213 bilhões de dólares.

O maior terremoto já registrado na Califórnia foi o de Fort Tejon em 1857, que provocou uma ruptura de 360 km na falha de San Andreas.

Os cientistas dizem que, desde então, a pressão e a energia sísmicas aumentaram de maneira dramática ao longo da falha, que marca o limite entre duas placas tectônicas, uma da América do Norte e outra do Pacífico.

"É inevitável que ocorra um grande terremoto porque a pressão tem que ser aliviada", afirmou Robert Graves, sismólogo da USGS.

Dada a certeza de que o desastre ocorrerá, a Califórnia deve agir em relação às suas vulnerabilidades para limitar os danos, indicou Graves.

"É necessário que as pessoas reconheçam que um fato como este afeta toda a comunidade", disse, acrescentando que esse processo de mobilização está começando.

"Se todos os edifícios do meu bairro desmoronam e os sistemas de abastecimento de água e eletricidade não funcionam, não importa se a minha casa está intacta. Estamos todos juntos nessa", completou.

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