Homofobia cresce no México após proposta sobre casamento gay

México, 12 Jul 2016 (AFP) - A homofobia aumentou no México desde que o presidente Enrique Peña Nieto propôs, em maio passado, legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo - denunciou nesta terça (12) uma organização de defesa dos direitos dos gays, citando 26 homicídios homófobos desde o início do ano.

"Isso pode provocar uma onda de violência. Pode provocar um aumento das agressões contra os homossexuais. Achamos que é importante que as autoridades tomem medidas sobre o assunto antes que aconteça uma tragédia", advertiu Alejandro Brito, da Comissão Cidadã contra os Crimes de Ódio por Homofobia, integrada por intelectuais, advogados e ativistas.

"Não queremos uma Orlando no México", acrescentou Brito, referindo-se ao brutal ataque contra uma boate gay na Flórida, nos EUA, em junho passado, no qual 49 pessoas morreram, e outras 53 ficaram feridas.

Desde o início do ano, pelo menos 26 homossexuais foram assassinados no México por sua orientação sexual. Alguns dos casos mais cruéis foram cometidos depois da iniciativa legislativa de Peña Nieto, garantiu o ativista.

Um desses episódios foi em 25 de junho passado. Jessica Patricia González Tovar estava com a namorada em uma loja de Monclova, em Coahuila (norte do país), quando um homem as agrediu verbalmente por sua orientação sexual.

O casal se afastou do local, mas foi alcançado pelo mesmo homem, que investiu o carro nelas e atirou no pescoço de Jessica, que faleceu, contou Brito.

O Movimento pela Igualdade no México cita os casos de outros dois gays mortos após a iniciativa presidencial de 17 de maio passado. Um foi atropelado, e o outro, torturado.

Em 2015, a Comissão Cidadã contra os Crimes de Ódio contabilizou 44 assassinatos homofóbicos, e 72 em 2014.

Brito explicou que esses números se baseiam em notícias divulgadas pela imprensa, o que significa que pode haver no mínimo o triplo de vítimas.

"Para cada caso que aparece na imprensa, há pelo menos dois que não aparecem. Então, os números devem ser maiores", aponta.

A iniciativa de Peña Nieto gerou forte rejeição da Igreja Católica e de alguns membros de partidos conservadores. O texto começará a ser discutido no Congresso a partir de setembro, quando tem início o próximo período de sessões.

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