Jogos Olímpicos no Rio, um 'inferno' para segurança?

Rio de Janeiro, 12 Jul 2016 (AFP) - O governo do Estado do Rio garante que a segurança será perfeita nos Jogos Olímpicos Rio2016, mas episódios recentes levantam algumas dúvidas, entre eles o corpo esquartejado encontrado pela Polícia perto da Arena de Vôlei de Praia, em Copacabana.

De 5 a 21 de agosto, o Rio de Janeiro receberá cerca de meio milhão de visitantes para o maior evento esportivo do planeta.

"Tenho confiança total nos preparativos para a segurança dos Jogos", afirmou, a praticamente um mês da abertura, o secretário extraordinário de Segurança para Grandes Eventos do Ministério da Justiça, Andrei Augusto Passos Rodrigues, dizendo estar "totalmente sereno".

A descoberta, nesse mesmo dia, de um corpo esquartejado em Copacabana, talvez tenha afetado essa serenidade.

Os policiais do Rio, que viram cerca de 50 de seus colegas mortos este ano e protestam contra o atraso no pagamento dos salários, já não têm tanta calma assim.

Um dos mais perigosos do país, o estado do Rio registrou 2.083 homicídios nos cinco primeiros meses de 2016, um aumento de 14% em um ano, enquanto os crimes se multiplicam.

Para os organizadores dos Jogos Olímpicos, o incidente mais constrangedor até agora talvez tenha sido o que aconteceu com as emissoras de televisão alemãs ARD e ZDF, que tiveram seus equipamentos eletrônicos roubados. Estimada em 400.000 euros, a carga foi finalmente recuperada.

Fronteiras porosasAs verdadeiras zonas de insegurança ficam no norte da cidade, onde há enormes favelas, longe da Barra, de Copacabana e de Ipanema, tomadas de turistas.

Há oito anos, as autoridades estaduais iniciaram um ambicioso programa para retomar das mãos de traficantes fortemente armados o controle dessas comunidades.

A criminalidade tenta recuperar esses territórios, aproveitando a crise econômica que fez o governo decretar estado de calamidade pública, escasseando recursos para a polícia.

No mês passado, cerca de 20 homens armados invadiram um hospital do Centro do Rio para resgatar um de seus chefes, conhecido como "Fat Family". A polícia teria matado nove pessoas na caçada aos bandidos, sem conseguir recuperá-lo.

Considerando-se que o Brasil não está envolvido em nenhuma guerra e que fica muito distante de países como a Síria, é baixo o risco de ver se repetirem aqui violentos ataques reivindicados pelo grupo Estado Islâmico (EI) em Bangladesh, na Bélgica, no Iraque e nos Estados Unidos.

Mas sediar o evento esportivo mais acompanhado do mundo vai, necessariamente, atrair as atenções, alerta o especialista em segurança Robert Muggah, do Instituto Igarapé, no Rio.

"Se um grupo terrorista quiser dar um grande golpe em um evento mundial, o Rio seria um bom lugar para começar", afirma.

A fronteira com o Paraguai é notoriamente porosa, e a com o Uruguai foi atravessada em junho, sem passar por qualquer controle, por um ex-detento da base americana de Guantánamo, acolhido como refugiado pelo pequeno país sul-americano.

E, para conseguir armas de guerra, basta dar uma volta nas favelas.

O 'próximo alvo'?Em junho, os Serviços Secretos brasileiros disseram ter detectado mensagens em Português ligadas ao EI em um fórum de Internet. Ainda mais explícito, depois dos atentados de Paris em novembro passado, um jihadista francês do EI tuitou que o Brasil seria "o próximo alvo".

Cerca de 65.000 policiais e 20.000 soldados - o dobro do efetivo do JO de Londres-2012 - serão mobilizados no Rio.

O Centro de Coordenação Policial incluirá forças de 55 países e aquela encarregada de antiterrorismo, com agentes de sete países, entre eles Estados Unidos, França e Argentina.

Verificações já foram feitas com 394.000 visitantes. A meta é chegar a 600.000.

O Brasil enfrentará ainda seus próprios problemas durante os Jogos. A tensão política poderá deflagrar novas manifestações, enquanto a presidente Dilma Rousseff, afastada por maquiagem das contas públicas, corre o risco de sofrer um impeachment logo depois das Olimpíadas.

E, em meio a uma recessão histórica para o país, o estado do Rio conseguiu um socorro financeiro federal emergencial de R$ 2,9 bilhões. Esse valor deverá ser usado para pagar os salários atrasados dos policiais e a falta gritante de material - de combustível para as viaturas a papel higiênico.

"Bem-vindo ao inferno!", diz um cartaz levantado por policiais irados na área de desembarque do aeroporto internacional do Rio, esta semana, acompanhado da preocupante frase: "Quem vem ao Rio não está seguro".

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