Obama assiste a cerimônia para policiais de Dallas mortos por atirador

Dallas, Estados Unidos, 12 Jul 2016 (AFP) - O presidente americano, Barack Obama, participou nesta terça-feira de uma cerimônia sóbria, em homenagem aos cinco policiais mortos por um franco-atirador em Dallas, enquanto busca unificar um país dividido por questões raciais e políticas.

Acompanhado pela primeira-dama, Michelle, o presidente deixou Washington com a tarefa tristemente familiar de se dirigir a um país sacudido por mais um caso de violência com armas de fogo.

O prefeito de Dallas abriu a cerimônia, dizendo que "a alma de nossa cidade foi trespassada".

Nos dias que se seguiram ao mais recente ataque que abalou os Estados Unidos - realizado por um homem negro que tinha como objetivo matar policias brancos em resposta à violência policial - Mike Rawlings disse que os moradores da cidade "soluçaram e prestaram homenagens".

"Hoje, abrimos as portas da nossa cidade", afirmou, agradecendo a Obama por participar da cerimônia.

Mas a homenagem mais comovente foi aos "pacificadores de azul" Brent Thompson, Patrick Zamarripa, Michael Krol, Lorne Ahrens e Michael Smith.

Cada policial foi representado por uma cadeira vazia no auditório, cada uma adornada com uma bandeira americana dobrada e um quepe de policial.

Obama passou grande parte da segunda-feira preparando o discurso que daria nesta cerimônia ecumênica, também assistida por seu antecessor, o ex-presidente republicano George W. Bush.

Seu discurso é visto como um teste monumental de liderança, como a aproximação do fim de seu mandato à frente da Casa Branca.

De volta aos anos 1960?Oito anos atrás, a destreza retórica de Obama o transformou no primeiro presidente negro dos Estados Unidos e despertou a esperança de que o país pudesse superar suas profundas divisões sociais.

Hoje, Obama insiste em que estas divisões não são tão grandes quanto os ataques a tiros, as redes sociais ou a mídia levam a crer.

"Eu sei que os americanos estão se debatendo agora mesmo com o que testemunhamos na semana passada", disse Obama durante uma cerimônia em memória dos policiais falecidos.

"Estou aqui para dizer que precisamos rejeitar este desespero. Estou aqui para insistir em que não somos tão divididos quanto parecemos", acrescentou.

Obama repetiu, assim, as palavras já proferidas durante recente viagem à Europa, interrompida pelo ataque em Dallas.

Os americanos não vivem mais, argumentou, nos sombrios anos 1960, quando as cidades americanas queimavam e balas assassinas mataram o presidente John F. Kennedy e o líder dos direitos civis Martin Luther King Jr.

"O presidente admite que não só as pessoas em Dallas estão de luto, mas também as pessoas em todo o país, que se preocupam com a violência que tantos americanos testemunharam nas últimas duas semanas", disse o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, na segunda-feira.

"O presidente espera oferecer algum conforto amanhã" durante sua viagem a Dallas, acrescentou.

O desafio para Obama é não ser visto como alguém que dá uma resposta professoral às preocupações viscerais das pessoas, através de mais um discurso intrincadamente elaborado.

De Charleston a Orlando e Dallas, o último ano foi visto como uma torrente de massacres motivados pelo ódio.

Estes massacres geraram uma medida de repulsa comum, mas não a um propósito comum.

Os republicanos no Congresso se opõem firmemente a qualquer medida de controle de armas.

Ao que parece, a cada semana aparece um vídeo chocante de um policial atirando e matando um negro americano, imagens que rapidamente se tornam virais e revivem questões duras sobre raça e policiamento.

EUA em azul e pretoNa semana passada, disparos efetuados pela polícia mataram dois homens negros - Alton Sterling, na Louisiana, e Philando Castile, em Minnesota - gerando uma onda nacional de ódio, com milhares de manifestantes nas ruas em protesto de costa a costa do país.

Aparentemente, estas mortes também conduziram ao ataque mortal em Dallas, executado por um veterano da guerra no Afeganistão, Micah Johnson, um jovem negro, em protesto contra a violência da polícia.

Na quinta-feira, Johnson, de 25 anos, usou um fuzil para matar os cinco policiais e ferir outros nove. Dois civis também ficaram feridos no ataque.

Antes de ser morto, ele disse aos negociadores que queria matar policiais brancos em vingança pela morte de negros.

Obama tem lutado para unir as questões de raça e das armas trazidas à tona pelo ataque de Dallas.

"Não há contradições em apoiarmos o cumprimento da lei e também dizer que há problemas em nosso sistema de justiça criminal, há preconceitos, conscientes e inconscientes, que precisam ser desarraigados", disse Obama.

"Então, quando as pessoas dizem 'a vida dos negros importa', isto não significa que a vida dos homens de azul não importam; significa apenas que todas as vidas importam", afirmou, em alusão à cor do uniforme usado pelos policiais.

Em Dallas, o cirurgião negro Brian Williams, que atendeu vários policiais feridos, deu uma declaração comovente sobre as feridas que fazem o país sangrar.

Ele contou ter comprado sorvete a policiais para que sua filha visse como ele interage normalmente com a polícia, e não crescesse com os mesmos medos que ele tem.

Dirigindo-se aos policiais, declarou: "eu os apoio, eu os defenderei e eu me importarei com vocês".

"Isto não significa que eu não tema vocês", concluiu.

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