Cameron deixa governo britânico e aconselha sucessora a se manter próxima à UE

Londres, 13 Jul 2016 (AFP) - Horas antes de se retirar, o primeiro-ministro britânico David Cameron aconselhou nesta quarta-feira Theresa May, que irá sucedê-lo, a permanecer "tão perto quanto possível" da União Europeia, apesar do Brexit que ela deverá conduzir.

Theresa May, ministra do Interior do atual governo conservador, de 59 anos, tomará posse nesta quarta-feira em Downing Street, menos de três semanas após a votação dos britânicos pela saída do país da União Europeia.

Em sua última sessão de perguntas e respostas no Parlamento como primeiro-ministro, David Cameron, dez anos mais jovem, convidou May a não virar completamente as costas para os outros 27 membros da União.

"Nós temos que tentar ser os mais próximos da UE quanto possível", disse ele, dirigindo-se a May que ele descreveu como "brilhante negociadora" e que será empossada doze horas após Cameron pedir demissão à rainha Elizabeth II.

Em seguida, será a vez de May se dirigir à soberana e receber a tarefa de formar o novo governo que a imprensa britânica já vê muito mais feminino do que o anterior, e junto com um ministro especificamente responsável pelo Brexit.

Ela vai se tornar a segunda mulher a tomar as rédeas de um executivo britânico após Margaret Thatcher (1979-1990), a quem alguns comparam.

Conhecida por sua determinação, sua força de trabalho, mas também por uma certa frieza, Theresa May, filha de um pastor, herda um Reino Unido que o referendo deixou de cabeça para baixo, entre turbulências econômicas e pressão dos líderes da UE para que o Reino Unido inicie o mais rapidamente possível o processo de divórcio.

- A vida nova de Cameron - "Brexit significa Brexit e vamos ter sucesso", garantiu May na segunda-feira, deixando pouca esperança para aqueles que sonham ver seu país permanecer na zona de influência europeia.

Esta eurocética, que defendeu a permanência na UE durante a campanha do referendo, já havia avisado que não tinha a intenção de ativar o artigo 50 do Tratado de Lisboa - que lança o processo de saída da UE - antes do final do ano.

Ansiosos de ver o executivo britânico esclarecer as suas intenções, os líderes europeus não esperaram a posse para apresentar as suas queixas.

"Agora cada um deverá se colocar em uma posição que será a de defender os interesses, a Grã-Bretanha de um lado e, do outro, os interesses da Europa", considerou nesta quarta-feira o porta-voz do governo francês, Stéphane Le Foll.

Uma cúpula sobre as consequências do Brexit com o presidente francês François Hollande, a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi será realizada no final de agosto na Itália.

Ecoando as declarações de Cameron, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse que era a favor "de relações tão estreitas quanto possíveis com o Reino Unido".

Os primeiros dias da nova primeira-ministra também vão ser acompanhados de perto pelos mercados, que buscam certezas após o choque provocado pelo referendo.

"A libra recuperou mais de 4% em relação a seu mais baixo nível em 31 anos", atingido semana passada, "enquanto os mercados comemoravam o fato de Theresa May se tornar a nova primeira-ministra", comenta Hussein Sayed, analista da FXTM.

Para David Cameron, que defendeu a permanência do país na UE, é uma nova vida que começa, com o peso nos ombros de um referendo que ele mesmo lançou, mas cujo resultado foi o inverso do que desejava.

O líder conservador venceu duas eleições legislativas (2010 e 2015), sobreviveu ao referendo de independência da Escócia... mas permanecerá na História como o primeiro-ministro do Brexit.

"No momento em que eu partir, espero que todo mundo veja uma nação mais forte", declarou ao Daily Telegraph desta quarta-feira.

- Veneno nas veias - Enquanto o país acolhe um novo líder, a oposição trabalhista permanece abalada por uma crise de liderança profunda, outra repercussão do referendo.

Afetado por uma verdadeira guerra entre os seus parlamentares, o líder do partido Jeremy Corbyn marcou uma importante vitória na noite de terça-feira contra os seus opositores após a decisão do comitê executivo do partido de permitir que ele se apresente nas novas eleições para a liderança do Partido Trabalhista.

"Mas isso não resolverá os problemas do Labour", ressaltou o tabloide Daily Mirror: "O veneno nas veias do Labour é tão tóxico que ninguém consegue enxergar um resultado harmonioso".

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