Falta pão em Aleppo, cidade síria sitiada pelo exército

Alepo, Síria, 13 Jul 2016 (AFP) - Ahmad al Haj fica impaciente em uma fila formada por 150 pessoas diante de uma padaria de Aleppo, cidade sob cerco do exército sírio onde começa a faltar pão.

"Já estou esperando há 45 minutos e ainda tem 40 pessoas na minha frente", resmunga Ahmad, em meio a homens mal-humorados e esgotados.

Os alimentos começam a faltar desde que as tropas do presidente Bashar al-Assad interromperam na quinta-feira passada a estrada de Castello, ao noroeste de Aleppo. É a última rota pela qual transportavam os insumos e as pessoas até os bairros controlados pelos rebeldes na segunda cidade da Síria.

O cerco se estreitou em torno dos mais de 200.000 habitantes que, além dos bombardeios, suportam a escassez de alimentos e o aumento dos preços.

"Ontem eu e minha família não comemos pão porque as padarias pararam de funcionar" por falta de farinha e de combustível, queixou-se Ahmad.

E hoje "não vou ter mais do que sete fatias de pão (árabe) que dão apenas para uma refeição", afirma enquanto os clientes discutem na fila sobre quem chegou primeiro.

Em outra padaria repete-se a mesma cena. Quase 200 pessoas esperam sua vez.

O controle de Aleppo é uma das prioridades do exército sírio. Atualmente ela está dividida, com uma parte em poder do regime (os bairros do oeste) e outra nas mãos dos rebeldes.

A ONU declarou nesta quarta-feira (13) que está "muito preocupada com o aumento da violência" em Aleppo que "coloca em perigo centenas de milhares de pessoas". E chamou a "todas as partes para autorizarem a entrega de ajuda humanitária" e "a evacuação dos civis que o desejarem".

"Não sobrou nada"No bairro de Ferdus, Abu Ahmad está nervoso com a falta de alimentos e com os preços exorbitantes do mercado, quase vazio.

"Tenho quatro filhos e não sei o que vamos comer hoje", lamenta este homem em busca de batatas. Um quilo delas vale 500 libras sírias (um dólar), ou seja, cinco vezes mais que o normal. O de tomates passou de 100 para 600 libras sírias.

"Até agora não encontrei nada, nem ovos, nem laban (tipo de leite fermentado), nem queijo, nem verduras", lamenta.

Este alfaiate recebe 25.000 libras sírias por mês (pouco mais de 16 dólares, segundo a cotação atual) e com isso sobrevive "uma semana".

Sair da cidade se tornou quase impossível. As forças do regime se encontram a menos de 500 metros da estrada de Castello e podem atirar em todo aquele que circular por ela.

No bairro de Kalassé, o supermercado de Mohamad Hijazi, estava cheio de mercadorias há alguns dias, mas agora só há detergente nas estantes. Os produtos básicos desapareceram.

"Acabou, não sobrou nada", constata. Hijazi critica os comerciantes que armazenaram mercadorias e agora vendem o quilo de tâmara a 800 libras sírias (1,60 dólar), ou seja, o dobro de antes.

Segundo um relatório da ONU publicado em abril, 83,4% dos habitantes vivem sob a sombra da pobreza diante dos 28% que viviam antes do conflito.

Hasan Yasin estacionou seu táxi em um local seguro para evitar os bombardeios do regime, mas sobretudo pela falta de gasolina.

"De dia não trabalho devido aos bombardeios e à noite não tenho clientes porque um trajeto, por menor que seja, custa 700 libras sírias (1,40 dólar)", explica.

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