'Não é normal' o que acontece na Venezuela, denuncia Almagro

Assunção, Paraguai, 14 Jul 2016 (AFP) - O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, disse nesta quarta-feira (13) no Paraguai que a situação institucional da Venezuela "não é normal", referindo-se à decisão do presidente Nicolás Maduro de recorrer aos militares para enfrentar a crise econômica.

Na terça, Maduro anunciou que deixou os cinco principais portos da Venezuela nas mãos do Exército, como parte de uma gigantesca mobilização de soldados na recém-lançada "Missão de Abastecimento Soberano", a cargo do próprio ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López.

Essa decisão "deixa claro que a situação não é a normal que poderia ser a situação institucional do país", afirmou o titular do organismo interamericano, ao ser consultado por jornalistas sobre o anúncio do chefe de Estado da Venezuela.

Segundo Almagro, as imagens de milhares de venezuelanos, cruzando a fronteira com a Colômbia no último fim de semana para comprar alimentos e remédios, "é algo muito significativo da situação social que vive o país".

O chefe da OEA inaugurou nesta quarta, em Assunção, um fórum de ministros e especialistas na luta contra a pobreza na região. Almagro também se reuniu com o chanceler paraguaio, Eladio Loizaga.

Na segunda-feira (11), Loizaga teve um encontro em Montevidéu com seus colegas do Mercosul e foi o encarregado de anunciar que não houve acordo sobre a transferência da presidência "pro tempore" do bloco para Caracas.

"Que ponha seus presos políticos em liberdade, que faça gestos que comprometam-no com a democracia, de outro modo, não haverá consenso para entregar a presidência à Venezuela", disse o chanceler do Paraguai.

No mês passado, Almagro apresentou um relatório ao Conselho Permanente da OEA e, nele, garantiu que a Venezuela vive "uma grave alteração da ordem constitucional". Por esse motivo, pediu a ativação da Carta Democrática Interamericana.

O debate continua em aberto sobre a aplicação desse instrumento que implementa sanções em casos de ruptura democrática.

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