Última tentativa de bloquear nomeação de Trump na convenção republicana

Cleveland, Estados Unidos, 14 Jul 2016 (AFP) - Enquanto Cleveland se prepara para a convenção do Partido Republicano, que designará Donald Trump como candidato à Casa Branca, alguns conservadores lançaram a última, e sem dúvida em vão, tentativa de impedir sua nomeação, incentivando os delegados a votarem "com consciência".

Os militantes anti-Trump buscarão nesta quinta-feira mudar, antes de tudo, as normas do partido, para tirar da maioria dos delegados a obrigação de votar pelo candidato vitorioso nas primárias de seu Estado.

Se os rebeldes conseguirem o apoio de 28 dos 112 membros da comissão de regulamento do partido, que se reúne nesta quinta-feira, poderão apresentar um "relatório em minoria", que será submetido à votação na convenção, prevista de segunda a quinta-feira em Cleveland, Ohio.

Essa iniciativa, entretanto, poderia fracassar, já que trata-se de conseguir o que outros 16 pré-candidatos republicanos à Casa Branca não puderam: derrotar Donald Trump.

Mas os organizadores da iniciativa como Regina Thomson, co-fundadora do movimento "Free the Delegates" ("Liberem os Delegados"), asseguram que os ventos sopram a seu favor.

Thomson se nega a dar um número preciso. "Não vamos anunciar a Trump e ao mundo inteiro onde nos encontramos", declarou à AFP na entrada de um hotel, onde no celular tentava convencer os delegados a não votarem por Trump. Afirma que "aproximadamente 70% daqueles com os quais falamos não querem votar em Donald Trump".

"O impulso é fenomenal", disse na quarta-feira à emissora MSNBC Kendal Unruh, professor no Colorado e membro da comissão de regulamento, que encabeça esta iniciativa anti-Trump.

Se não for Trump, quem será?Segundo Regina Thomson, Kendal Unruh pensa em obter os votos suficientes para poder apresentar "um relatório em minoria" na convenção.

O presidente do partido, Reince Priebus, considera que suas possibilidades são pequenas, mas o partido adotava na quarta-feira um tom mais neutro: "apoiamos a vontade dos eleitores e dos delegados", disse a porta-voz Lindsay Walters.

Unruh, Thomson e suas equipes pretendiam, além disso, convencer os delegados de que estariam exercendo a "cláusula de consciência" para impedir que Trump seja nomeado candidato. "É um direito que será exercido", assegura Thmson, recordando que em 248 ocasiões em outras convenções do partido, delegados conseguiram introduzir uma folha de votação em rebeldia argumentando que seguiam sua consciência.

"Sim, haverá desconformes" com esta iniciativa, que poderia perturbar muitos militantes do partido, acrescenta Thomson. "Mas acreditamos firmemente que o número de conservadores que não votarão nele (em novembro) não terá comparação com os três milhões de cristãos evangélicos que não votaram em Mitt Romney em 2012".

Apesar de o magnata imobiliário estar agora disputando voto a voto com a democrata Hillary Clinton, segundo uma pesquisa da CBS/New York Times publicada na quinta-feira, os anti-Trump temem que seu discurso combativo e divisionista o faça perder o voto de milhões de conservadores.

Mas, se não for Trump, quem será o candidato republicano?

Regina Thomson e Kendal Unruh apoiaram nas primárias o senador ultraconservador texano Ted Cruz. Mas Thomson se nega a antecipar um nome; afirma que esta iniciativa busca unicamente abrir as portas a outro possível candidato.

O comitê editorial do Wall Street Journal, próximo aos conservadores, convidou Trump a aceitar esta iniciativa para liberar os delegados do voto obrigatório, o que será um teste em Cleveland após um agitada temporada de primárias.

"Ganhar a convenção contribuiria para a legitimidade a sua designação e ajudaria a unificar o partido apesar das críticas", considera o Wall Street Journal.

Porque se Donald Trump não conseguir obter uma maioria de delegados na convenção, "sem dúvida perderá em novembro", adverte o jornal financeiro.

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