Atentado em Nice: caminhão atropela multidão e mata 80 pessoas

Nice, França, 15 Jul 2016 (AFP) - Um caminhão atropelou e matou 80 pessoas nesta quinta-feira na cidade de Nice, na Riviera Francesa, durante a festa da Queda da Bastilha, em um ataque que o presidente francês, François Hollande, definiu como "terrorista".

O atentado aconteceu no Passeio dos Ingleses, a avenida costeira da cidade turística no Mediterrâneo, cheia de gente no início do período de férias de verão e para assistir à queima de fogos comemorativa do aniversário da Revolução Francesa.

O Passeio estava lotado quando um caminhão branco invadiu a toda velocidade e avançou por dois quilômetros passando por cima de turistas até o motorista ser morto pela polícia.

Segundo o ministro do Interior francês, 80 pessoas morreram e o estado de outras 18 é "crítico".

O presidente da região da Provence-Alpes-Cote d'Azur, Christian Estrosi, revelou que o motorista do caminhão atirou várias vezes com uma pistola antes de ser liquidado pela polícia.

Outra fonte disse que dentro do caminhão, de 19 toneladas, foram encontradas uma granada "inativa e várias réplicas de armas longas".

O deputado francês Eric Ciotti descreveu "imagens aterrorizantes no local, uma cena de horror absoluto, com muitas crianças entre os mortos".

"Famílias que compartilhavam um momento de lazer foram tomadas como alvo. Era um dia simbólico em um lugar simbólico. A soma destes dois símbolos foi o que motivou o atentado".

Ação terroristaHollande disse que o "caráter terrorista" do ataque cometido em Nice "não pode ser negado", e expôs o desejo da França de reforçar sua ação no Iraque e na Síria.

"Nada nos fará ceder em nossa vontade de lutar contra o terrorismo. Vamos reforçar ainda mais nossa ação no Iraque e na Síria", onde a França luta contra os extremistas do EI, garantiu o presidente, confirmando a presença de "várias crianças" entre as vítimas.

"Continuaremos a atingir aqueles que justamente nos atacam em nosso próprio território", acrescentou o chefe de Estado.

Hollande anunciou o prolongamento, por três meses, do estado de urgência na França, que deveria inicialmente ser suspenso no final de julho, e convocou os reservistas (...) para auxiliar os policiais e gendarmes".

O estado de emergência permite realizar batidas sem mandado judicial e obrigar pessoas consideradas "perigosas para a ordem pública" fixar residência em local determinado pelas autoridades, com limitação de movimentos.

As autoridades também podem cancelar espetáculos e concentrações de pessoas, além de limitar a circulação de veículos em determinados horários e áreas.

Em Paris, a justiça anti-terrorista foi encarregada da investigação do caso.

A polícia ainda não tinha confirmado a identidade do motorista do caminhão, mas no interior do veículo foram encontrados documentos em nome de um cidadão franco-tunisiano de 31 anos residente em Nice.

O massacre aconteceu oito meses depois dos atentados de novembro de 2015, em Paris, nos quais atacantes suicidas do EI mataram 130 pessoas em vários ataques coordenados;

'Um evento de extrema gravidade'O que ocorreu em Nice, cidade vizinha a Mônaco e perto da fronteira com a Itália, "é um evento de extrema gravidade", disse à AFP o porta-voz do ministério do Interior, Pierre-Henry Brandet.

Quando o caminhão branco avançou em extrema velocidade contra a multidão houve um movimento de pânico, segundo um jornalista da AFP que se encontrava no local.

O ataque acontece em um contexto de alto risco de atentados segundo as autoridades francesas, país que intervém militarmente na Síria contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI).

Este é o segundo ataque mais violento cometido na Europa nos últimos anos, superado apenas pelos múltiplos atentados em Paris de novembro de 2015, com saldo de 130 mortos.

A França já havia sido atingida pela violência nos atentados de 7,8 e 9 de janeiro de 2015, contra a revista satírica Charlie Hebdo e contra um supermercado kósher, em um total de 17 mortos.

Mundo chocado com ataqueO presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou "nos termos mais duros o que parece ser um horrível ataque terrorista em Nice, que matou e feriu dezenas de civis inocentes".

"Somos solidários à França, nosso mais antigo aliado, no momento em que ela enfrenta esse ataque. Sabemos que o caráter da República Francesa vai durar muito tempo depois dessa devastadora e trágica perda de vida", acrescentou Obama.

O presidente interino, Michel Temer, declarou que o "povo francês foi vítima da mais injustificada intolerância neste 14 de julho".

"É abjeta e ultrajante a ação perpetrada contra inocentes que celebravam os mais elevados valores universais: a liberdade dos povos; a igualdade entre os cidadãos e a fraternidade como elemento das relações entre seres humanos".

A presidente afastada, Dilma Rousseff, declarou no Twitter que "é com pesar que o mundo assiste, mais uma vez, a um atentado na França, justamente na comemoração da Tomada da Bastilha".

"Não podemos nos deixar amedrontar, nem nos abatermos. O povo francês saberá superar mais esta tragédia".

O porta-voz da primeira-ministra britânica, Theresa May, declarou que o Reino Unido "está chocado e preocupado com as cenas" em Nice. "Nossos pensamentos estão com aqueles que foram afetados por esse terrível incidente que aconteceu em um dia de festa nacional".

"Estamos prontos para ajudar qualquer cidadão britânico e para apoiar nossos parceiros franceses", acrescentou o gabinete.

O virtual candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, lamentou "mais um terrível ataque (...) com muitos mortos e feridos". "Quando vamos aprender? Está apenas ficando pior".

mba/an-mb/cc/mvv/lr

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos