Golpe: EUA, Rússia, UE e países vizinhos pedem contenção à Turquia

Moscou, 16 Jul 2016 (AFP) - O secretário de Estado americano, John Kerry, disse esperar a paz, a estabilidade e a continuidade do poder na Turquia, enquanto seu colega russo, Serguei Lavrov, pediu aos turcos que evitem qualquer "confronto sangrento", enquanto permanece a incerteza sobre o golpe em andamento no país.

Depois de mais de 12 horas de negociações em uma reunião dedicada à Síria, Kerry e Lavrov deram uma entrevista coletiva juntos, no momento em que o Exército tomava as ruas da capital turca, anunciando toque de recolher e a instauração da lei marcial.

"Soubemos do que poderia acontecer pouco antes de vir aqui. Então, não acho que seja justo fazer um comentário", disse Kerry.

"Não temos detalhes até o momento, mas espero que haja estabilidade, paz e continuidade na Turquia", afirmou o secretário americano, sobre esse país aliado dos Estados Unidos no seio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

O ministro Serguei Lavrov iniciou sua intervenção, afirmando que os jornalistas estavam mais bem informados por enquanto e que ele ainda estava tentando entender o que está acontecendo.

Lavrov pediu que se evite "qualquer confronto sangrento" e ressaltou que "os problemas da Turquia devem ser resolvidos dentro do respeito pela Constituição".

Algum tempo depois, a Rússia disse estar "extremamente preocupada" com a situação na Turquia. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, destacou que o presidente Vladimir Putin está sendo "constantemente informado peles canais diplomáticos e pelos serviços de Inteligência".

A Casa Branca também anunciou que o presidente Barack Obama está sendo informado da situação em Ancara por sua equipe de Segurança Nacional.

Depois de conversar por telefone com Kerry, o presidente Obama pediu apoio para o governo "democraticamente eleito" do presidente Recep Tayyip Erdogan, "sinais de contenção e que se evite qualquer violência, ou derramamento de sangue".

Já Kerry conversou com o ministro turco das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, e garantiu a ele "apoio absoluto" dos Estados Unidos às "instituições democráticas e ao governo civil democraticamente eleito da Turquia", segundo um comunicado do Departamento de Estado.

Em uma nota em separado, Kerry declarou que "os Estados Unidos veem com grave preocupação os eventos em curso na Turquia. Estamos monitorando uma situação muito fluida".

"Instamos todas as partes a garantir a segurança e o bem-estar das missões e do pessoal diplomático e dos civis em toda a Turquia", insistiu.

O secretário de Estado também pediu aos americanos que estão na Turquia que permaneçam em suas casas.

De acordo com o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Ned Price, "o presidente Obama continuará a receber atualizações regulares".

A Otan pediu calma e "respeito total das instituições democráticas" na Turquia.

O secretário-geral da organização, Jens Stoltenberg, apelou neste sábado (hora local, noite de sexta em Brasília) à "calma" e pediu "respeito total às instituições democráticas na Turquia", um "aliado valioso" da Aliança Atlântica.

"Eu apelo à calma e à moderação, e ao respeito total às instituições democráticas da Turquia e de sua Constituição", declarou Stoltenberg, em breve comunicado publicado na madrugada de sexta para sábado.

Nesse contexto de tensão crescente, a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, pediu "contenção" e "respeito às instituições democráticas".

"Em contato constante com a delegação da UE em Ancara e em Bruxelas direto da Mongólia [onde Federica está para uma cúpula UE-Ásia]. Apelo à contenção e ao respeito pelas instituições democráticas", postou Mogherini no Twitter.

Em tuíte postado neste sábado, Steffen Seibert - porta-voz da chanceler alemã, Angela Merkel - afirmou que "a ordem democrática deve ser respeitada na Turquia".

"Tudo deve ser feito para proteger as vidas humanas", acrescentou, em meio às notícias de que soldados atiraram contra a multidão que protestava em Istambul e de que 17 policiais foram mortos em Ancara, segundo a imprensa local.

O governo grego anunciou, por sua vez, que "acompanha a situação com sangue-frio".

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, "foi informado pelo chefe dos Serviços Secretos gregos" da evolução dos acontecimentos no país vizinho e pediu que o ministro da Defesa, Panos Kammenos, e o chefe do Estado-Maior também sejam atualizados.

Tsipras manifestou seu "apoio ao governo democraticamente eleito" de Erdogan.

Essa "mensagem de apoio à democracia na Turquia" foi transmitida em uma comunicação entre o conselheiro diplomático de Tsipras e o assessor do presidente turco. Os dois devem conversar por telefone ainda hoje.

A companhia aérea grega Aegan Airlines cancelou seus voos previstos para este sábado para Istambul, "em vista das informações sobre o fechamento desse aeroporto", assim como para Izmir, a grande cidade turca voltada para o mar Egeu.

O canal público grego Ert1 interrompeu sua programação para acompanhar ao vivo o que se passa na Turquia.

Também neste sábado, o chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarif, manifestou a "grande preocupação" de Teerã, país com o qual tem fronteira, informou o site do governo.

"Manifestamos nossa grande preocupação diante dos acontecimentos que estão se desenrolando na Turquia. A estabilidade, a democracia e a segurança do turcos são uma prioridade", afirmou Zarif, destacando "a necessidade de preservar a unidade no país".

Já o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que a Turquia volte pacificamente ao regime civil. Em um comunicado, Ban afirmou que "a interferência militar em assuntos de qualquer Estado é inaceitável".

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