Mike Pence: a escolha razoável de Trump como vice-presidente

Nova York, 15 Jul 2016 (AFP) - O governador Mike Pence, um cristão conservador escolhido nesta sexta-feira pelo virtual candidato republicano à Presidência, Donald Trump, como seu companheiro de chapa, irá colaborar com sua experiência em Washington, uma ajuda mais que útil na campanha do magnata rumo à Casa Branca.

Governador do estado de Indiana (norte) desde janeiro de 2013, este advogado de 57 anos e ex-locutor de rádio, conhece, como um bom comunicador, as entranhas de Washington por ter sido membro da Câmara dos Deputados de 2001 a 2013 e presidente da Conferência Republicana (número 3 do partido) entre 2009 e 2011.

Disciplinado e relativamente discreto, Pence era o favorito dos filhos de Trump - muito influentes na campanha de seu pai - frente às personalidades fortes e mais imprevisíveis do governador de Nova Jersey, Chris Christie, e do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Newt Gingrich.

Trump anunciou em seu Twitter, nesta sexta-feira, que havia optado por Pence: "Fico feliz em anunciar que escolhi o governador Mike Pence como meu companheiro para a vice-presidência", escreveu.

A decisão foi conhecida às vésperas do início da convenção Republicana que começa na próxima segunda-feira, em Cleveland, e que deverá nomear oficialmente Trump como candidato.

O atual presidente da Câmara dos Deputados, o republicano Paul Ryan, que não se dá bem com o magnata, considera Mike Pence um amigo.

Suas ligações poderiam ajudar Trump a diminuir as tensões com um partido que continua incomodado com o candidato e arrecadar mais dinheiro para a campanha.

Além disso, sua personalidade, moldada pela fé cristã, garante que não não fará sombra ao multimilionário, que valoriza antes de tudo a lealdade daqueles que o rodeiam.

Até o momento, Pence e Trump não eram especialmente próximos. Na realidade, ele havia apoiado nas primárias republicanas o senador do Texas, Ted Cruz, que foi finalmente derrotado por Trump.

Prós e contrasMike Pence é um defensor dos valores da família, muito crente, contrário ao aborto e ao casamento homossexual, assim como aos refugiados.

"Cristão, conservador e republicano, nessa ordem", se define.

Como governador, assinou leis para dificultar o aborto em seu estado. Também foi muito criticado por outra lei sobre a "liberdade religiosa", vista por seus opositores como uma forma de discriminar as comunidades homossexual, bissexual e transsexual.

Donald Trump se reuniu com Mike Pence em várias ocasiões nos últimos dias e fez campanha com ele ao seu lado em Indiana, na terça-feira à noite.

Na quarta-feira, Trump, seus filhos e seu genro viajaram para Indiana para uma nova reunião com o governador, pouco conhecido fora dos círculos republicanos.

Pence poderia aproximar o candidato republicano à presidência de conservadores tradicionais e dos evangélicos, ainda reticentes, e dos cidadãos do chamado "Rust Belt" (Cinturão Industrial) do nordeste do país, que está em queda, e que é composto por Indiana e pelo estado vizinho, Ohio, peças-chave na corrida à Casa Branca.

"Sou um grande admirador de Mike Pence e acredito que ele tenha mais possibilidades de fazer evoluir o candidato ao lugar que ele tem que estar", assinalou o senador do Arizona, Jeff Flake.

"É conservador, é inteligente. Tem sido bom em matéria de comércio e imigração", explicou.

Mas alguns especialistas destacam que sua escolha não aumentaria a base eleitoral de Trump, entre os independentes ou republicanos moderados, por exemplo, com os quais a candidata democrata Hillary Clinton deveria redobrar os esforços.

Pence estava envolvido em uma difícil campanha para sua reeleição em Indiana.

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