O que se sabe até o momento sobre o atentado em Nice

Paris, 15 Jul 2016 (AFP) - Um caminhão avançou na quinta-feira contra uma multidão reunida na cidade francesa de Nice para ver os fogos de artifício por ocasião da festa nacional, um ataque que deixou mais de 80 mortos.

A seguir um resumo do que se sabe:

- Dois quilômetros de horror - Às 23h00 locais (18h00 de Brasília) uma multidão lotava o muito turístico Passeio dos Ingleses por ocasião dos tradicionais festejos do 14 de julho. Os fogos de artifício haviam acabado de terminar quando um caminhão branco de 19 toneladas, alugado dias antes, avançou contra a multidão, atingindo muitas pessoas, incluindo várias crianças, ao longo de dois quilômetros.

O motorista "mudou de trajetória ao menos uma vez", afirmou a polícia à AFP. "Claramente tentou deixar o maior número de vítimas possível".

A investigação deverá determinar como o caminhão conseguiu entrar nesta famosa avenida costeira, fechada para a circulação e sob rígidas medidas de segurança por ocasião da festa nacional.

O motorista, que matou mais de 80 pessoas e deixou dezenas de feridos, 18 dos quais estavam nesta sexta-feira em estado crítico, disparou várias vezes com uma pistola antes de ser abatido pela polícia.

O caminhão terminou seu percurso mortífero perto do Palácio do Mediterrâneo, um hotel de luxo, com os pneus furados e a porta do lado do passageiro e o para-brisas repleto de buracos de balas.

Dentro do veículo foi encontrada uma granada desativada e "armas falsas", segundo uma fonte próxima à investigação.

- Quem é o criminoso? -As forças de segurança francesas "identificaram formalmente" o motorista do caminhão. É um franco-tunisiano de 31 anos morador de Nice cujo documento de identidade foi encontrado no interior do veículo.

Segundo uma fonte policial, este homem não estava na lista de pessoas dos serviços de inteligência por suposta radicalização. Mas tinha antecedentes por pequenos crimes, sobretudo por violência.

Este homem estava sozinho no veículo. Estão sendo realizadas investigações para determinar se tinha cúmplices.

A presença de armas fictícias no caminhão também levanta dúvidas sobre seu perfil.

- Quais eram suas motivações? -Horas depois dos incidentes, o presidente francês, François Hollande, disse que o "caráter terrorista" do ataque é "inegável".

Oito meses depois dos atentados de 13 de novembro em Paris, que deixaram 130 mortos, a investigação deverá determinar se o criminoso agiu sozinho ou seguiu ordens.

Até o momento, o ataque não foi reivindicado. No entanto, a maneira de agir e a data escolhida para atacar, o dia da festa nacional francesa, lembram slogans de grupos extremistas como Al-Qaeda ou Estado Islâmico (EI).

Em uma mensagem de áudio divulgada em 2014, o porta-voz oficial do EI Abu Mohamed Al Adnani convocou aqueles que chama de "soldados do califado" a utilizar qualquer arma disponível.

"Se você não pode detonar uma bomba ou atirar, dê um jeito de ficar sozinho com um infiel francês ou americano e quebre seu crânio com uma pedra, mate-o a facadas, atropele-o com seu veículo".

Há um mês, em 13 de junho, Larossi Abbala utilizou uma faca para matar um policial e sua esposa na casa de ambos perto de Paris, em um ataque reivindicado pelo EI.

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