Presidente turco reafirma poder em meio à incerteza sobre golpe militar

Ancara, 16 Jul 2016 (AFP) - O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, garantiu neste sábado que permanece no poder, em meio à incerteza após um grupo de militares anunciar a tomada do governo, deflagrando confrontos que deixaram 42 mortos na capital, Ancara.

"Há na Turquia um governo e um presidente eleito pelo povo, e seu Deus quiser, vamos superar este desafio", disse Erdogan ao convocar os "milhões" de turcos a ocupar as ruas para defender a Nação.

"Os que vieram nos tanques serão capturados porque estes tanques não lhes pertencem", afirmou o presidente durante coletiva concedida no aeroporto de Istambul, onde foi recebido por uma multidão que agitava bandeiras turcas.

A TV turca, citando um tribunal de Ancara, revelou que ao menos 42 pessoas morreram - civis e militares - na capital durante os confrontos provocados pela tentativa de golpe.

Tiros esporádicos persistiam na manhã deste sábado em vários bairros de Ancara, após uma noite confusa marcada por explosões atribuídas a bombardeios aéreos.

Em sua entrevista no aeroporto de Istambul, Erdogan revelou que o hotel onde estava de férias em Marmaris, um balneário do sudoeste da Turquia, foi bombardeado após sua partida.

O primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, ordenou que as forças armadas abatam os aviões e helicópteros que estão em poder dos "golpistas", informou um funcionário, acrescentando que "os aviões de combate decolaram da base de Eskisehir", no oeste da Turquia, para enfrentar os aparelhos rebeldes.

A agência oficial Anatólia informou que o Parlamento turco, em Ancara, foi bombardeado na madrugada de sábado, e o correspondente da AFP na capital turca ouviu uma violenta explosão e rajadas de metralhadora na mesma região.

Militares rebelados também ocuparam, na manhã de sábado, a sede do grupo de mídia Dogan em Istambul, segundo o canal de notícias CNN-Türk.

Apesar do ataque ao Parlamento e à tomada da sede do grupo Dogan, Binali Yildirim afirmou que "esta iniciativa idiota fracassou" e a situação "está amplamente sob controle".

As declarações do premier ao canal NTV se seguiram a um comunicado dos serviços de Inteligência turcos sobre o "retorno à normalidade".

Durante a noite de sexta-feita, os militares golpistas abriram fogo em Istambul sobre a multidão, em meio a um protesto contra a tentativa de golpe, constatou um fotógrafo da AFP.

Os soldados atiraram contra a multidão em uma das pontes sobre o Bósforo, que une Europa à Ásia, onde vários civis feridos eram socorridos por ambulâncias.

Na capital Ancara, dezessete policiais foram mortos em um confronto envolvendo os militares golpistas, revelou a agência oficial Anatólia, sem dar detalhes.

Ainda na capital turca, um caça F-16 da Força Aérea derrubou um helicóptero Sikorsky das forças "golpistas", informou uma fonte ligada à presidência.

Na noite de sexta-feira, vários tanques do Exército cercaram o Parlamento em Ancara e o aeroporto internacional Ataturk, em Istambul.

Violentas explosões foram ouvidas na capital, acompanhadas de troca de tiros no centro da cidade, enquanto aviões sobrevoavam a metrópole sem parar, a baixa altitude.

Momentos depois, Erdogan apareceu na TV com o rosto pálido e visivelmente preocupado, para denunciar "a sublevação de uma minoria do Exército", e exortou os turcos a "ocupar as praças públicas e aeroportos" para resistir à tentativa de golpe.

Em declarações por telefone à rede CNN-Turk, Erdogan afirmou que "de modo algum os golpistas terão sucesso", e pediu à população para se "reunir nas praças públicas e nos aeroportos" para resistir a uma "tentativa de golpe de Estado" lançada por "uma minoria dentro do Exército".

"Não acredito absolutamente que estes golpistas vencerão", declarou Erdogan, "prometendo uma resposta muito forte" aos insurgentes.

Segundo um comunicado dos militares lido no canal de televisão NTV, "o poder no país foi tomado em sua integralidade". A mesma informação constava do site do Estado-Maior do Exército.

"Não permitiremos que a ordem pública seja alterada na Turquia (...). Foi imposto o toque de recolher até nova ordem", segundo um comunicado firmado pelo "Conselho da Paz no país".

Logo após o anúncio dos militares, duas pontes sobre o estreito de Bósforo em Istambul foram fechadas parcialmente, e as forças de segurança controlaram as avenidas que levam à Praça Taksim, entre outros pontos.

Segundo os militares, a tomada do poder tem por objetivo "garantir e restaurar a ordem constitucional, a democracia, os direitos humanos, as liberdades e a prevalência da lei suprema" em todo território turco.

"Todos os nossos acordos e compromissos internacionais seguem vigentes. Esperamos que continuem nossas boas relações com os demais países", assinala o comunicado militar.

De acordo com a agência oficial Anatolia, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, "general Hulusi Akar, foi feito refém por um grupo de militares rebelados.

Ao chegar a Istambul, na manhã de sábado, Erdogan acusou de "traição" o imã radicado nos Estados Unidos Fethullah Gülen, por promover o golpe militar.

O grupo afiliado ao clérigo turco radicado nos Estados Unidos condenou o levante militar e afirmou que "por mais de 40 anos, os participantes do Fethullah Gulen e Hizmet têm defendido e manifestado seu compromisso com a paz e a democracia".

"Temos denunciado consistentemente intervenções militares na política doméstica. Estes são valores centrais dos participantes do Hizmet. Condenamos qualquer intervenção militar na política doméstica da Turquia".

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