Estado Islâmico reivindica massacre de Nice

Nice, França, 16 Jul 2016 (AFP) - O grupo extremista Estado Islâmico (EI) reivindicou neste sábado o ataque que matou 84 pessoas na quinta-feira na cidade francesa de Nice (sudeste), um atentado cometido por um tunisiano que as autoridades suspeitam que tenha se radicalizado há pouco tempo.

Oito meses depois dos ataques extremistas de Paris, nos quais 130 pessoas morreram, a França mergulhou em um novo luto nacional de três dias, que se encerrará na segunda-feira com um minuto de silêncio ao meio-dia (07h00 de Brasília).

Ainda em choque com o massacre cometido com um caminhão - algo inédito na França - e atormentados pelas imagens terríveis de pessoas esmagadas sob as rodas do veículo, sobreviventes e parentes das vítimas buscavam neste sábado informações e apoio psicológico nos hospitais da cidade.

"Liguei para todo mundo; delegacias, hospitais e no Facebook, mas não encontro meu filho. Faz 48 horas que procuro por ele. Minha mulher está morta, onde está o meu filho?", perguntava, desesperado, Tahar Mejri, de 39 anos. Pouco depois, médicos o informaram sobre a morte do menino, após comparar amostras de DNA.

No sábado, o balanço do massacre se mantinha em 84 mortos - entre eles, dez crianças. Mas esta cifra pode aumentar, pois 121 dos 300 feridos permaneciam hospitalizados.

Vinte e seis pessoas permaneciam no serviço de reanimação e 16 corpos ainda haviam sido identificadas.

Pelo menos dezessete estrangeiros morreram no ataque, entre eles três alemães, dois americanos, três tunisianos e três argelinos.

Radicalização recenteTudo indica que o atacante, Mohamed Lahouaiej-Bouhlel, um tunisiano de 31 anos, "se radicalizou muito rápido", assegurou o ministro do Interior francês Bernard Cazeneuve, com base em testemunhos de pessoas próximas.

"Enfrentamos indivíduos sensíveis a mensagens do Daesh (acrônimo em árabe do EI) que realizam ações extremamente violentas sem necessariamente ter combatido ou ter sido treinados", acrescentou o ministro, destacando que se trata de um "novo modo" que ilustra "a extrema complexidade da luta antiterrorista".

Os interrogatórios de quatro homens próximos ao assassino, morto a tiros pela polícia durante o ataque, e da ex-mulher dele, detida desde a sexta-feira, dão indiícios de que ele "se radicalizou há pouco" tempo, reforçou uma fonte da polícia.

O assassino tinha um histórico de ameaças, violência e roubos cometidos entre 2010 e 2016, mas "nunca tinha sido fichado (pelos serviços antiterroristas), nem deu o menor indício de radicalização".

Casado e pai de três filhos, este motorista de caminhão estava em vias de se divorciar. Segundo o pai dele, ele sofreu de depressão no começo dos anos 2000 e não era religioso.

Falhas na segurança?A líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, exigiu a demissão do ministro do Interior e denunciou "carências gravíssimas do Estado em seu dever de proteger" os franceses.

Durante a reunião de crise, celebrada no sábado, o presidente francês, François Hollande, denunciou a "tentação de dividir o país", segundo o porta-voz do governo, Stéphane Le Foll, e fez um apelo à "coesão" e à "unidade" da França.

Quase dois dias depois do atentado nesta turística cidade da Riviera francesa, a imprensa se perguntava como foi possível que o imenso caminhão de 19 toneladas conseguisse entrar, na noite de quinta-feira, na área dos festejos do 14 de julho, reservada a pedestres e sob vigilância policial.

O ministro do Interior repudiou as críticas e assegurou que a polícia estava "muito presente" na noite de quinta-feira no local e que o caminhão forçou passagem, subindo na calçada.

"Embora seja tempo de luto e compaixão, vê-se claramente que o país se volta para uma reflexão sobre os políticos. Sim à coesão nacional, mas com resultados em campo", recomendou o jornalista Yann Marec no jornal regional Midi Libre.

Na segunda-feira será reaberta completamente o acesso ao Passeio dos Ingleses.

O presidente François Hollande anunciou a prorrogação do estado de emergência por mais três meses. Este regime, decretado após os atentados de 13 de novembro, facilita as revistas policiais e a prisão domiciliar de suspeitos.

Cazeneuve por sua vez, convidou "todos os franceses patriotas que desejarem" se unir à reserva operacional da polícia e da gendarmeria, efetivos que podem ser mobilizados "rapidamente" em função dos "fatos".

bur-feb/cmk/iw/mr/mvv

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos