Cleveland tem segurança reforçada antes de convenção republicana

Cleveland, Estados Unidos, 17 Jul 2016 (AFP) - Cleveland reforçou sua segurança neste domingo na expectativa de ser palco de protestos na véspera de uma semana de convenção republicana, que deverá corar Donald Trump como o candidato do partido às presidenciais americanas.

A morte de três policiais, este domingo, em um tiroteio na cidade de Baton Rouge, Louisiana, aumentou o nível de alerta nesta pequena cidade do norte do país, onde as autoridades ergueram um círculo de aço ao redor epicentro da convenção.

O presidente Barack Obama pediu calma.

"Estamos entrando em duas semanas de convenções em que nossa retórica política tende a ser mais incendiária que o normal", disse Obama a jornalistas na Casa Branca.

"Por isso, é tão importante que todos (...) se concentrem agora em palavras e ações que possa unir o país ao invés de dividi-lo ainda mais", acrescentou.

Em Cleveland, situada às margens do lago Erie, grades de dois metros foram erguidas ao redor do Quicken Loans Arena, que sediará a feira política republicana. O centro de imprensa, que receberá 15 mil jornalistas, também está completamente isolado, e a presença policial é maciça.

Os quatro dias de discursos deverão selar a ascensão triunfal de Trump como candidato dos republicanos para enfrentar a democrata Hillary Clinton nas eleições de novembro, em meio às tentativas do magnata de unificar o partido, após agressivas eleições primárias.

Várias ruas foram fechadas ao tráfego e outras, obstruídas com barricadas de concreto - até mesmo caminhões tira-neve tiveram as férias de verão suspensas para manter à distância possíveis manifestantes.

Milhares de policiais do estado de Ohio e de outras jurisdições do país, inclusive forças federais, estarão em guarda entre 18 e 21 de julho para a convenção.

As forças de segurança estão em alerta devido à expectativa de protestos de manifestantes incomodados com a retórica agressiva de Trump, e se preparam para qualquer eventualidade, após os recentes episódios de violência contra a polícia.

Similar ao que aconteceu em Dallas (Texas, sul), na semana passada, pelo menos três policiais foram mortos a tiros e outros três ficaram feridos neste domingo em Baton Rouge, uma das cidades mais segregadas entre brancos e negros nos Estados Unidos, cenário recente de protestos contra a morte de um jovem negro nas mãos da polícia.

"Nosso país está totalmente dividido e nossos inimigos estão de olho", escreveu Trump no Twitter. "Nosso país é uma cena do crime", destacou.

A lei em Ohio, que permite o porte visível de armas, só inflamou o medo de violência em Cleveland, cidade de 400.000 habitantes que, prevendo um possível descontrole da situação, obteve um seguro anti-protesto de 50 milhões de dólares.

"Ouvimos informes sobre todo mundo, de anarquistas e separatistas negros a seguidores de Trump e opositores a Trump, que viriam a Cleveland para causar problemas ou só manifestar (...) Mas estamos preparados para tudo", disse o chefe de polícia de Cleveland, Calvin Williams.

Williams também disse que serão reforçadas as barricadas para evitar um possível ataque, depois do atentado na cidade francesa de Nice (sudeste), onde um homem ao volante de um caminhão lançou o veículo na direção de uma multidão, matando 84 pessoas.

Guerra contra o EITrump, o polêmico candidato que promete construir um muro na fronteira com o México e faz campanha como o candidato da lei e da ordem, disse em sua última entrevista que se vencer as eleições, declarará guerra ao grupo extremista Estado Islâmico.

"Vamos declarar guerra ao EI, devemos varrê-los", disse Trump à emissora CBS, segundo trechos de sua entrevista, divulgados antes da convenção.

"Vou enviar algumas tropas (...) Vamos envolver a Otan" nesta luta, afirmou.

Forças especiais dos Estados Unidos já operam 'in situ' contra o EI, complementadas com ataques da força aérea americana.

Trump deu estas declarações durante a primeira entrevista coletiva conjunta com seu companheiro de chapa, o candidato a vice-presidente e atual governador de Indiana, Mike Pence.

A escolha de Pence, um evangélico com posturas antigay e antiaborto, foi comemorada pela dirigência republicana e sua ala conservadora, e é vista como uma manobra para unificar o partido em torno de Trump.

Mas Trump tem uma tarefa difícil para conquistar seus detratores.

Pence se unirá aos membros da família Trump - sua esposa, Melania, e seus quatro filhos adultos - para elogiar o candidato durante a convenção.

Mas as ausências na convenção são chamativas.

Os quatro dias de folclore republicano em Cleveland não contarão com nenhum ex-presidente, tampouco estará presente o governador do estado, John Kasich, que foi derrotado por Trump nas primárias.

"Idade das trevas"O primeiro protesto anti-Trump ocorreu neste domingo e reuniu algumas dezenas de manifestantes a alguns quarteirões do centro de convenções.

"Ele vai nos levar de volta à idade das trevas", disse à AFP Carol Steiner, trabalhadora médica aposentada.

José Landaverde, um sacerdote anglicano salvadorenho, caminhou quase um mês de Chicago, pregando nas cidades rurais que são a base eleitoral de Trump "sobre o ódio que provocou o discurso" do magnata.

Enquanto isso, mais de cem mulheres posaram nuas em Cleveland, atendendo a uma convocação do fotógrafo Spencer Tunick, que busca conjugar arte e política para mostrar Trump como alguém incapaz de ocupar a Casa Branca.

Outro protesto "Stop Trump" está previsto para a segunda-feira, algumas horas antes do início da convenção republicana.

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