Vinte e dois anos após atentado na AMIA, ninguém foi preso

Buenos Aires, 18 Jul 2016 (AFP) - Nenhuma pessoa foi presa e a impunidade reina passados 22 anos do atentado contra o centro judeu AMIA, em Buenos Aires, onde morreram 85 pessoas, denunciou nesta segunda-feira o líder da comunidade, Ralph Saieg.

"Cidadãos iranianos e o Hezbollah (partido xiita libanês) planejaram e executaram a bomba. Houve uma conexão local. Queremos progressos! Não há um único detido 22 anos após o ataque", disse Saieg, em um novo ato para reivindicar o esclarecimento do ataque a bomba.

O presidente Mauricio Macri participou do ato, em frente ao edifício reconstruído da Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), na bairro comercial de Once.

Centenas de pessoas levantaram faixas com os dizer "Justiça" e fotos dos mortos no ataque, que também causou 300 feridos.

Saieg pediu ao governo para que "o caso AMIA seja uma prioridade de Estado". O líder lembrou que ainda estão em vigor o alerta da Interpol para a captura de ex-governantes iranianos, incluindo para o ex-presidente Ali Rafsanjani.

Durante a cerimônia foi tocada a canção 'La Memoria' do roqueiro León Gieco, gravada com 100 grandes artistas do país, incluindo o vencedor de dois Oscar por Melhor Trilha Sonora Gustavo Santaoalla. A canção é um sucesso e viralizou nas redes sociais.

A letra menciona que "tudo está guardado na memória, arma da vida e da história". A música é dedicada às violações dos direitos humanos na Améria e um verso refere-se a "todos os mortos da AMIA e da embaixada de Israel".

Em 1992, uma bomba destruiu a embaixada israelense em Buenos Aires.

Durante o ato desta segunda-feira, o promotor Alberto Nisman, investigador do caso AMIA, foi homenageados. Ele foi encontrado morto em 18 de janeiro de 2015 no banheiro de seu apartamento, em um caso que aina não foi esclarecido.

A Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas acaba de divulgar uma declaração apontando a "lentidão" na investigação e as "informações limitadas" no caso AMIA.

"O Estado deve tomar medidas para garantir que a investigação seja conduzida de uma forma rápida, eficaz, independente, imparcial e transparente", ressaltou a ONU.

Um julgamento por encobrimento do ataque está sendo realizado desde 2015, em Buenos Aires. São acusados o ex-presidente Carlos Menem (1989-1999) e o ex-líder da comunidade judaica Ruben Beraja, entre outros ex-funcionários.

Menem, Beraja e outros são acusados de desviar o curso da investigação por meio do pagamento de suborno de um envolvido no caso. Já o ex-espião da polícia Carlos Telleldin é acusado de dar falso testemunho sobre um grupo de ex-chefes da polícia, apontados por ele como supostos membros da rede local.

Os três procuradores que substituíram Nisman - Sabrina Namer, Roberto Salum e Leonardo Filippini - revelado nas últimas horas que "há milhares de documentos mal conservados e que sequer foram analisados, e um cadáver sem dedos não investigado, entre outras irregularidades" no caso.

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