Trump aposta na unificação do partido republicano

Cleveland, Estados Unidos, 21 Jul 2016 (AFP) - Na véspera do final do show dos republicanos, Donald Trump aterrissou de maneira espetacular em Cleveland, Ohio, nesta quarta-feira (20), com a esperança de unificar um partido dividido e de virar a página de polêmicas que geram distrações.

Aclamado na terça-feira como candidato presidencial do GOP (sigla do Partido Republicano em inglês), o magnata de 70 anos parece estar colocando ordem na casa, após meses de brigas e de um último suspiro rebelde no início da convenção republicana, na última segunda (18).

Hoje, o governador de Indiana, Mike Pence, deve se apresentar oficialmente aos americanos como vice de Trump.

"Este é o partido de Trump agora", disse à emissora CBS nesta quarta-feira o chefe da campanha, Paul Manafort.

"A convergência entre a campanha de Trump e o partido foi perfeita", acrescentou Manafort, ao assinalar que os republicanos concordam em que o empresário nova-iorquino é o candidato "mais forte e com a melhor visão" para brigar pela presidência.

Fiel a sua personalidade de "showman", Trump pousou com seu helicóptero em Cleveland e saudou seus seguidores, impressionados de apertarem a mão do empresário que promete "devolver a grandeza dos Estados Unidos".

Mas será seu discurso de quinta-feira que deverá fechar com chave de ouro os eventos e catapultar sua candidatura na eleição de 8 de novembro contra a aspirante democrata à Casa Branca, Hillary Clinton.

Apagando a polêmicaA oposição contra a ex-secretária de Estado é o elemento que une os republicanos: seu nome esteve até agora na boca dos oradores em Cleveland que falam de "Hillary, a mentirosa", "Hillary, a vilã", "Hillary e seus e-mails"...

O governador de Nova Jersey, Chris Christie, incitou na terça-feira os delegados a declararem Hillary como "culpada" por seus supostos erros na diplomacia americana em Cuba, na Síria, na Líbia.

"Acabem com ela", gritou à tribuna.

Treze meses depois de uma campanha que viu Trump derrotar 16 aspirantes e esmagar a teimosa oposição interna, o magnata imobiliário disse que chegou a hora de "ir até o final" e conquistar a Casa Branca.

"O que começa em Cleveland terminará na Casa Branca", disse Mike Pence, companheiro de chapa de Trump ao receber o magnata, em sua segunda viagem esta semana à cidade da região dos Grandes Lagos.

A equipe de Trump também tentou, nesta quarta-feira, enterrar a polêmica pelas acusações de plágio em torno do discurso de sua esposa, Melania Trump, na segunda-feira na convenção.

Uma integrante da campanha de Donald Trump admitiu ter usado frases de Michelle Obama para montar o discurso que deu à ex-modelo eslovena e pediu desculpas pelo "caos que causou", uma volta de 180º na estratégia inicial.

O que fará Ted Cruz?O senador Ted Cruz, finalista nas prévias e orador nesta quarta na Quicken Loans Arena, foi ambíguo durante um evento paralelo à convenção.

"Cada um dos nós tem a obrigação de seguir nossa consciência", declarou no discurso, no qual não pronunciou o nome de Trump uma única vez e foi várias vezes interrompido por seus seguidores aos gritos de "2020!, 2020!".

A família de Trump tem sido o principal suporte do candidato. Depois de Melania, sua filha Tiffany e seu filho Donald Jr., e o outro filho, Eric, subirão ao palco para mostrar o lado humano do pai, visto por muitos como explosivo e egocêntrico.

Don Jr., 38, marido e pai de cinco filhos, fez na terça-feira uma eloquente defesa de seu pai, mesclando assuntos de política - imigração, energia e segurança - com situações familiares.

"Para o meu pai, o impossível é só o ponto de início", destacou.

Muro contra TrumpCleveland, uma cidade de 400.000 habitantes, está sob severas medidas de segurança, com a polícia onipresente e atenta às inúmeras manifestações, que geralmente ocorrem sem incidentes graves.

Um grupo de manifestantes marchou nesta quarta-feira em protesto contra as políticas migratórias do candidato republicano, que promete deportar os 11 milhões de imigrantes do país.

Alguns colocaram um grande tecido com inscrições como "Isolem o Trump", enquanto outros tentaram queimar uma bandeira dos Estados Unidos.

Pelo menos 18 pessoas foram detidas neste terceiro dia de convenção.

Nos confrontos, dois policiais foram agredidos, informou o chefe da Polícia de Cleveland, Calvin Williams.

"Há pessoas que não querem apenas protestar", disse Williams, acrescentando que muitos manifestantes têm objetivo causar "desordem e caos".

Trump lançou sua candidatura há 13 meses em seus escritórios de Manhattan, Nova York, declarando que os imigrantes mexicanos em situação ilegal eram estupradores e narcotraficantes. Parecia uma receita para o desastre.

Desde então, porém, tem desafiado todos os manuais de eleições: insulta imigrantes e muçulmanos, muda o complexo andamento da campanha e prefere a cobertura gratuita da mídia livre à propaganda projetada.

"É incrível. É surreal. Estou muito orgulhoso do meu pai, todos estamos", disse na terça-feira à CNN a filha mais velha do magnata imobiliário, Ivanka.

Trump encontra em 2016 um Partido Republicano que deu uma brusca guinada à direita.

Contra o casamento homossexual e o aborto, protecionista de mercado, a favor do uso do carbono, entusiasta de um grande muro na fronteira com o México: o programa partidário adotado na convenção parece olhar para o passado.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos