Autor do massacre em Nice tinha cúmplices e premeditou o ataque

Paris, 21 Jul 2016 (AFP) - O motorista do caminhão que matou 84 pessoas que festejavam o 14 de julho na cidade balneária de Nice teve a ajuda de cinco suspeitos que se encontram em custódia e planejou o ataque há algum tempo, revelou o procurador de Paris.

Uma semana depois que Mohamed Lahouaiej Bouhlel jogou seu caminhão contra a multidão que foi à praia ver os fogos de artifício pelo Dia da Bastilha, François Molins informou que fotos encontradas no celular do assassino mostram que ele começou a planejar o ataque em 2015.

Também revelou que um dos cinco suspeitos em custódia, um tunisiano chamado Mohamed Oualid G., gravou um dia depois da chacina o cenário do crime tomado por paramédicos e jornalistas.

Os cinco suspeitos serão apresentados à justiça antiterrorista e Molins informou que eles deverão ser acusados por conspiração para cometer atos terroristas, entre outros crimes.

Os suspeitos são o franco-tunisiano Ramzi A., 22, anos, o tunisiano Chokri C., 37, o tunisiano Mohamed Oualid G., 40, e o albanês Artan H., 38, e sua esposa Enkeledja Z., que tem dupla nacionalidade francesa e albanesa.

Nenhum deles era conhecido pelos serviços de inteligência, e apenas Ramzi A., que nasceu em Nice, tinha ficha criminal por roubo e envolvimento com drogas.

Este suspeito levou a polícia a encontrar uma Kalashnikov e uma bolsa de munição, mas sua utilização ainda não está clara.

Mais de 400 investigadores estão envolvidos na investigação deste atentado, o terceiro na França em 18 meses.

Muitas das pessoas interrogadas pelos investigadores descreveram o motorista do caminhão como alguém distante da religião muçulmana, pois bebia, comida carne de porco e era sexualmente muito ativo.

Contudo, os elementos iniciais da investigação revelaram que sua radicalização foi recente.

Em 26 de maio do ano passado, ele tirou uma foto de um artigo sobre a droga Captagon, uma anfetamina usada por extremistas na Síria.

Em julho de 2015, ele tirou fotos da multidão durante os fogos de artifício do Dia da Bastilha, assim como outra de pessoas vendo um show no Passeio dos Ingleses, três dias antes.

Em 4 de abril passado, Chokri C. enviou a Bouhlel uma mensagem pelo Facebook que dizia: "Carregue o caminhão com 2 mil toneladas de ferro... Solte os freios, meu amigo, e vou assistir".

Molins informou ainda que dois Mohameds se contactaram 1.278 vezes entre julho de 2015 e julho de 2016.

Os investigadores acharam uma mensagem de texto no celular de Bouhlel enviada por Mohamed Oualid em janeiro de janeiro de 2015, dias depois do ataque contra a redação da revista Charlie Hebdo, que fez circular a hashtag de apoio às vítimas "Eu sou Charlie".

Essa mensagem dizia: "Eu não sou Charlie ... Estou feliz que tenham trazido soldados de Alá para terminar o trabalho".

Análises de seu computador também mostra pesquisas de imagens que ilustram seu fascínio pela violência e movimentos extremistas.

Segurança e transparênciaPassada uma semana após o atentado de Nice, reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI), segue a polêmica sobre a segurança na França, mas o presidente François Hollande prometeu que haverá "verdade e transparência" sobre o dispositivo mobilizado no dia do atentado.

"Quando há um drama, uma tragédia, por um ataque com muitos mortos, vítimas e feridos, há dor e uma pena compartilhada e necessariamente surgem perguntas", disse Hollande em uma coletiva de imprensa em Dublin, para onde viajou para se reunir com a primeira-ministra irlandesa, Enda Kenny.

Nesta quinta-feira, o jornal progressista Libération avivou novamente a polêmica em torno do dispositivo policial mobilizado na noite do ocorrido e as acusações de "mentira" e "falsidade" chegam de toda parte.

O jornal afirma que a entrada da zona de pedestres do Passeio dos Ingleses de Nice, para onde 30.000 pessoas se dirigiram para acompanhar os fogos de artifício, estava protegida apenas por um carro da polícia municipal e que a polícia nacional estava praticamente ausente nas imediações.

O ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, acusou o jornal de "falsidade", apoiando, assim, o primeiro-ministro Manuel Valls, que desde 15 de julho negou que existissem falhas na segurança do evento.

Neste sentido, Hollande disse que "não há espaço para polêmica".

"Só há espaço para a verdade e a transparência. É o que Bernard Cazeneuve decidiu, com razão, solicitando à inspeção geral da polícia que investigue tudo", acrescentou o presidente.

Já o presidente do Senado, o conservador Gérard Larcher, solicitou uma investigação independente sobre o dispositivo de segurança.

Esta nova polêmica aumentou as acusações de laxismo já feitas pela direita e pela extrema-direita apenas algumas horas após o atentado, lançando pelos ares o apelo à unidade nacional de um governo socialista em plena tempestade política.

Em função do clima reinante no país, o Parlamento votou pela prolongação do estado de emergência até janeiro.

Além disso, os deputados aceitaram as emendas dos senadores para proibir os eventos cuja segurança não possa ser garantida e facilitar o fechamento de lugares de culto nos quais ocorram declarações que incitem o ódio ou a violência.

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