Coalizão contra grupo Estado Islâmico põe Mossul na mira

Washington, 21 Jul 2016 (AFP) - A coalizão internacional contra o grupo Estado Islâmico (EI), reuniu-se nesta quinta-feira (21) pelos Estados Unidos em Washington, prepara a reconquista da cidade de Mossul, no Iraque, e de Raqqa, na Síria, dois redutos dos extremistas.

"A libertação de Mossul está agora à vista", anunciou o representante americano no seio da coalizão, Brett McGurk, diante de ministros das Relações Exteriores e de Defesa de 40 países, convocados pelos americanos John Kerry e Ashton Carter.

Mas Mossul, a cidade de dois milhões de habitantes onde o grupo EI proclamou no verão de 2014 seu "califado", será "a mais complexa" das operações de libertação realizadas até este momento pelas forças iraquianas, alertou McGurk.

Segundo um funcionário europeu que participou das discussões em Washington, a recente libertação de Fallujah e a reconquista da base aérea de Qayara, ponte essencial para lançar a ofensiva sobre Mossul, foi "mais rápido que o previsto" nos planos militares iniciais da coalizão.

"Tenho confiança em que termos êxito, vamos privar o Daesh [acrônimo em árabe do EI] de sua base geográfica", disse o secretário de Estado, John Kerry, após a reunião.

"Mas o Daesh continuará sendo perigoso, mesmo depois da derrota", advertiu.

"Preocupa-nos o fato de que as operações militares para libertar Mossul (...) e o possível deslocamento de até um milhão de pessoas que pode supor puderam aumentar as necessidades humanitárias inclusive além dos recursos recentemente solicitados", indica o comunicado oficial.

O encontro desta quinta-feira serviu para debater como assegurar que uma vitória em Mossul seja rapidamente seguida de um acordo político e do retorno dos refugiados.

De qualquer forma. a coalizão se inquieta pelo que acontecerá durante e depois da libertação da cidade, de maioria sunita, mas que conta também com várias minorias.

Fim do 'califado'"Não podemos deixar que os esforços de estabilização" do Iraque "seja atrasados" pelos avanços militares atuais da coalizão, disse o secretário de Defesa americana, Ashton Carter.

A coalizão, criada no verão de 2014 e que efetuou 14.000 ataques na Síria e no Iraque, prepara com o governo iraquiano a acolhida de dezenas de milhares de refugiados que talvez fujam dos futuros combates. Para ele, serão necessários equipamentos de emergência, assim como ajuda alimentícia e de geradores elétricos.

Os aliados tentam, além disso, determinar como manejar o futuro governo da cidade, sobre o qual Bagdá e o governo regional do Curdistão iraquiano devem se colocar de acordo.

"Devemos estimular todas as partes (iraquianas) a deixarem de lado suas divisões", afirmou McGurk, reivindicando "um intenso esforço diplomático" da coalizão com os iraquianos.

Segundo o funcionário, no interior da cidade ainda vive um milhão de civis de diferentes grupos étnicos e religiosos.

Após a experiência da coalizão nas cidades de Tikrit, Ramadi e Fallujah, serão estabelecidos recursos específicos para campos de refugiados e para a reconstrução.

"Acho que graças à conferência de promessas de ontem [quarta-feira] e aos encontros desta semana, estes recursos serão obtidos", indicou McGurk.

"A libertação de Mossul e de Raqa agora é um objetivo alcançável e que devemos alcançar", acrescentou.

Tanto Kerry quanto Carter consideram possível e necessário tirar o grupo EI do Iraque e da Síria, mas advertiram que, embora a reconquista de Mossul tire deles um espaço para treinar e difundir propaganda, não impedirá os extremistas de inspirar ataques.

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