Jogadores do mundo inteiro ficam viciados em Pokémon Go

Paris, 21 Jul 2016 (AFP) - Entrar em um campo minado, cruzar a rua sem olhar ou se meter em uma zona proibida: os fãs de Pokémon Go estão dispostos a tudo para capturar Pikachu e seus amigos.

Uma caçada virtual que causou sensação entre adolescentes e adultos, inclusive na bolsa de Tóquio, onde as consequências são vistas facilmente.

Após terem caçado estes monstrinhos no vídeo-game, agora os jogadores podem capturá-los em seus smartphones graças à realidade aumentada, uma tecnologia que faz elementos virtuais aparecerem no mundo real.

"Ao juntar várias gerações, desde os nostálgicos que viram o nascimento do Pokémon, em 1996, até os mais jovens, este jogo conseguiu mobilizar uma massa colossal de jogadores e possui todas as vantagens para se tornar um referência em matéria de realidade virtual", explicou à AFP Laurent Michaud, encarregado do setor de entretenimento digital no laboratório de ideias, Idate.

Porém, como o Pokémon Go ainda não está disponível oficialmente em muitos países, os mais impacientes encontraram uma maneira de burlar a restrição e hoje em dia o game pode jogado em grande parte do planeta. Em vários países da Europa ele foi lançado na semana passada.

Mas os brasileiros já estão na expectativa de um lançamento no país. O Brasil apareceu na lista dos servidores ativos da Niantic, desenvolvedora do jogo, na segunda-feira (18), o que pode indicar que o aplicativo estaria oficialmente disponível nos próximos dias.

O caçador de Pokémons é facilmente reconhecido: usa um celular com sistema operacional Android (Google) ou iOS (Apple) e costuma caminhar pela rua com os olhos fixados na tela de seu telefone, procurando em paredes e calçadas.

Na França, a empresa The Pokémon Company International, o grupo que gerencia a marca, decidiu atrasar o lançamento do jogo, que estava previsto para a semana passada, como sinal de respeito pelo atentado em Nice, segundo anúncio oficial.

Entretanto, alguns sites especializados deduziram que o atraso poderia ser por medo de o jogo provocar grandes aglomerações de pessoas, algo pouco compatível com o estado de emergência.

Cuidado com os campos minadosA busca a qualquer preço destes monstros para acrescentá-los ao vestuário pessoal de cada jogador tem dado lugar a cenas inacreditáveis.

Na Indonésia, um francês foi preso depois de ter entrado em uma base militar jogando Pokémon Go e foi interrogado durante várias horas antes de ser liberado.

Na Bósnia, os jogadores foram advertidos com o objetivo de evitarem os campos minados, uma herança da guerra intercomunitária que o país viveu entre 1992 e 1995.

A Marinha israelense, por sua vez, publicou uma foto de seus soldados capturando um Pokémon em pleno mar, com a menção: "Há um Pokémon que somente nós podemos capturar",

Do lado palestino, em um tuíte muito compartilhado, vê-se um Pikachu emergindo dos escombros de uma casa destruída em Gaza.

Na França, a gendarmeria nacional tuitou conselhos aos "treinadores" de Pokémons: "Motoristas, não joguem Pokémon Go" e "Pedestres, redobrem sua atenção".

Como medida preventiva, o governo japonês publicou um manual de boas práticas para sensibilizar as crianças, aconselhando-as a não jogarem enquanto estiverem em suas bicicletas ou não se aventurarem em locais perigosos.

A Arábia Saudita foi além. O órgão religioso mais importante do país publicou de novo uma recomendação de 2001, em que proíbe os games que incluem essas criaturas, ao considerá-los jogos de dinheiro, proibidos pelo islamismo, e vetores de propagação da teoria da evolução de Darwin.

Por trás do sucesso está a Pokémon Company, mas também o grupo japonês Nintendo, cujas máquinas projetaram até hoje todos os jogos desta marca e que é acionista da primeira.

Embora não se saiba a fatia da lucro que irá para os cofres da Nintendo, os investidores têm apoiado a ação da companhia na bolsa de valores de Tóquio.

Desde o lançamento de Pokémon Go, sua cotação mais que dobrou, apesar de permanecer abaixo de quando alcançou seu auge, que coincidiu com o lançamento do vídeo-game Wii em 2007-2008.

"Estamos claramente surpresos com a rapidez e a adoção pelo grande público. Um jogo como Candy Crush (para celular) levou vários meses até disparar, e nesse caso foi uma questão de dias", disse Jean-Claude Ghinozzi, presidente do sindicato de desenvolvedores de jogos SELL.

Agora permanece somente o gerenciamento dos riscos de segurança, já que o sucesso do jogo atraiu igualmente a atenção da pirataria digital, que já reivindicou, segundo o especialista russo de cibersegurança Kaspersky, vários ataques aos servidores da Nintendo, muito solicitados.

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