Trump enfrenta teste de união no fim da convenção republicana

Cleveland, Estados Unidos, 21 Jul 2016 (AFP) - Donald Trump pronunciará nesta quinta-feira (21) o discurso mais importante de sua vida política, centrado em sua visão para os Estados Unidos, e com o objetivo de salvar um dividido Partido Republicano depois que seu principal adversário na disputa interna se negou a apoiá-lo.

Trump, o beligerante magnata de 70 anos, falará ante os delgados na Convenção Nacional Republicana em Cleveland (Ohio, norte) para aceitar formalmente a candidatura do partido à presidência dos Estados Unidos.

O republicano enfrentará nas eleições de novembro a democrata Hillary Clinton, que acompanha com atenção esses quatro dias de convenção do partido adversário, transformada ali na personalidade que os republicanos mais odeiam.

Hillary e Trump estão empatados, segundo uma média das pesquisas nacionais, que dá à ex-secretária de Estado do presidente Obama 44% das intenções de voto contra 41% para o bilionário.

A ocasião marca a incrível ascensão à cúpula do "Grand Old Party" de um novato da política, que, com crueza e estridência, soube interpretar melhor do que ninguém o desespero dos perdedores da globalização e canalizar sua raiva às classes dirigentes.

Mas antes que os balões azuis, brancos e vermelhos caiam sobre o palco da Quicken Loans Arena de Cleveland, Trump deve cumprir, primeiro, uma tarefa muito mais elementar, mas nem por isso menos urgente.

Diante de milhões de telespectadores, o incendiário milionário deverá provar aos americanos que merece a Casa Branca e que é capaz de ser um líder confiável.

Trump deverá tentar curar as feridas do partido, reabertas na quarta-feira, quando seu principal adversário nas primárias, o senador Ted Cruz, se negou a dar seu apoio ao bilionário, que rechaçou mulheres e latinos.

Sua campanha desafiou as normas políticas: insultando imigrantes e muçulmanos, ignorando o sistema de campanha oficial e preferindo a cobertura gratuita da mídia.

Embora o repúdio à sua candidatura entre os eleitores latinos supere os 70%, Ralph Alvarado, um senador do estado do Kenticky, filho de imigrantes da Argentina e da Costa Rica, defendeu o magnata durante a convenção e chamou os latinos a votarem em Donald Trump.

"O discurso de Trump se concentrará em sua visão", disse em coletiva de imprensa, nesta quinta-feira, seu chefe de campanha, Paul Manafort, "e tratará de temas da atualidade, como a crise que as cidades enfrentam e o terrorismo".

Sua filha Ivanka Trump fará as apresentações, ressaltando um lado mais carinhoso do magnata.

Mais de dois meses após as primárias, com seus 16 pré-candidatos derrotados, a candidatura de Trump continua enfrentando profundas divisões, expostas durante a própria convenção republicana.

CãozinhoNa noite desta quarta-feira, a alegre saudação a Ted Cruz deu lugar a vaias quando o senador do Texas, de forma provocadora, disse aos delegados que votassem segundo "sua consciência" em novembro, uma fria vingança contra um candidato que insultou sua esposa, Heidi, e seu pai.

Foi "deplorável", disse Mary Balkema, delegada de Michigan.

Eric, um filho de Trump, denunciou um espetáculo "sem classe".

Mas Cruz não estava arrependido nesta quinta-feira.

"Não vamos ganhar esta eleição, gritando e atacando as pessoas", disse ele em uma reunião com delegados do Texas, seu estado natal.

Trump tinha acusado Cruz de descumprir "sua promessa", em alusão ao compromisso de todos os pré-candidatos presidenciais republicanos de que apoiariam o vencedor das primárias, fosse quem fosse.

"A promessa não era um cheque em branco, que, se você vai e ataca Heidi, eu vou, ainda assim, como um cachorrinho e dizer 'muito obrigado por difamar minha esposa'", afirmou Cruz.

O golpe de Cruz ocorreu em meio a uma atribulada convenção republicana, descarrilada desde o primeiro dia, com um protesto de delegados anti-Trump e a polêmica por plágio contra a esposa de Trump, Melania. Seu discurso incluiu parágrafos indiscutivelmente similares a um proferido pela primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, em 2008.

A campanha de Trump desconsiderou qualquer sinalização de divisões. "O partido está definitivamente mais unido", disse Manafort.

Seu colega de chapa, o governador de Indiana, Mike Pence, encarregou-se de animar os eleitores com um discurso convencional de aceitação do cargo na quarta-feira.

Pence, de 57 anos, conhecido por suas postura antigay e antiaborto, mas praticamente um desconhecido em nível nacional, deve servir para aparar as arestas com os mais conservadores e unificar o partido.

Mas a verdadeira amálgama do cerimonial republicano foram os selvagens ataques a Hillary Clinton, que será nomeada oficialmente candidata presidencial na convenção democrata na próxima semana, na Filadélfia (leste).

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