As incógnitas da tentativa de golpe na Turquia

Istambul, 22 Jul 2016 (AFP) - Uma semana depois da tentativa de golpe contra o Recep Tayyip Erdogan - que causou uma mudança geral na Turquia -, ainda restam muitas incógnitas sobre quem organizou o levante fracassado.

- Quem orquestrou o golpe de Estado?Ancara assegura que o homem que conspirou para o golpe é Fethullah Gülen, um pregador exilado nos Estados Unidos, que se tornou inimigo implacável do presidente Recep Tayyip Erdogan.

Acusado há anos de infiltrar nas instituições do Estado milhares de simpatizantes, muitos dos quais treinados em suas escolas, o septuagenário vive recluso na Pensilvânia.

Ancara tem a intenção de pedir formalmente sua extradição e afirma ter enviado as provas de seu envolvimento na tentativa de golpe para os Estados Unidos, que não foram tornados públicos.

Mas o presidente Erdogan deu a entender esta semana, sem nomeá-los, que suspeita de "outros países" e mencionou uma "mente superior" misteriosa.

- Quem são os oficiais suspeitos? O alto comando turco não parece estar envolvido na tentativa de golpe que fez 265 mortes, incluindo 24 amotinados. O chefe do Estado-Maior foi feito refém pelos golpistas. Mas alguns militares de alta patente estão entre as mais de 10.000 pessoas em custódia desde 16 de julho.

Mais de 100 generais e almirantes estão em detenção, incluindo o ex-chefe da Força Aérea, Akin Ozturk, de 64 anos, que apareceu na televisão algemado e com marcas de violência.

Ele nega ter participado na conspiração.

A imprensa turca relatou o testemunho de oficiais que reconheceram sua lealdade ao movimento Gullen. Outros o contestam, como o ex-assessor do presidente Erdogan, Ali Yazici.

O governo turco admite não saber quem seria o grande organizador do golpe no terreno.

- Quem são os alvos dos expurgos?Cerca de 60.000 pessoas, principalmente militares, juízes ou professores, foram presos, suspensos ou demitidos, de acordo com uma contagem da AFP.

O presidente Erdogan relatou 10.410 detidos e 4.060 pessoas presas.

Nennum setor escapou ao grande expurgo: vinte estações de televisão e rádio consideradas próximas de Gülen tiveram suas licenças caçadas, cerca de 200 funcionários do primeiro-ministro foram demitidos, assim como 500 da agência de Assuntos Religiosos.

Estes funcionários suspeitos estão proibidos de deixar o país enquanto aguardam os resultados do inquérito, assim como os acadêmicos que não podem, até novo aviso, fazer viagens para conferências no exterior.

Como os nomes dos suspeitos foram escolhidos pelas autoridades? De listas prontas, como sugerido pelo comissário europeu para a Ampliação da UE Johannes Hahn?

- O que vai mudar com o estado de emergência? As autoridades asseguraram que não haveria impacto na vida quotidiana dos cidadãos. Eles excluíram introduzir medidas de toque de recolher.

O ministro da Justiça, Bekir Bozdag, disse que a duração da detenção provisória poderia durar de "sete e oito dias".

Na imprensa são mencionadas várias medidas, tais como o estabelecimento de tribunais ad hoc para julgar os amotinados, cujos bens estarão sujeitos a apreensão provisória durante a investigação.

Funcionários identificados como fieis a Gülen serão amortizado sem remuneração, segundo a imprensa, que também espera um fechamento de centenas de escolas ou fundações do sistema de educação do movimento.

O debate sobre a restauração da pena de morte continua a agitar o país. O presidente Erdogan reiterou na quarta-feira que uma grande parte da população declarou apoio à pena de morte e que ele iria levar a questão para votação no Parlamento.

A pena de morte foi abolida em 2004. A UE já avisou que o restabelecimento da pena de morte enterraria o processo de adesão ao bloco.

- Por que este golpe de Estado?Marcado por um real grau de despreparo, o golpe parece ter tomado todos de surpresa.

Alguns meios de comunicação viram a tentativa como uma ação desesperada de oficiais antes de uma reorganização do exército que estava prevista para o início de agosto, a fim de excluir os gulenistas.

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