Christine Lagarde será julgada na França por negligência

Paris, 22 Jul 2016 (AFP) - A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), a francesa Christine Lagarde, suspeita de negligência em uma arbitragem quando era ministra da Economia, será julgada na França, confirmou nesta sexta-feira o Tribunal de Cassação.

A justiça acusa Christine Lagarde de negligência em 2008, quando era ministra, na arbitragem que concedeu ao empresário Bernard Tapie a soma de 404 milhões de euros.

Lagarde será julgada pela Corte de Justiça da República, que avalia crimes cometidos por membros do governo no exercício de suas funções.

A diretora, que sempre defendeu que atuou de boa fé, enfrenta uma pena máxima de um ano de prisão e uma multa de 15.000 euros.

Em uma declaração à AFP, seu advogado, Patrick Maisonneuve, lamentou a decisão, mas disse que o tribunal não se pronunciou sobre a questão.

Lagarde foi acusada em 2013 de negligência no caso Tapie, que acusava o banco semipúblico Crédit Lyonnais de ter subestimado o valor da marca de roupas e equipamentos esportivos Adidas quando o empresário se desvinculou dela em 1993.

O caso foi resolvido em 2008 por uma comissão arbitral, que ordenou que Tapie pagasse uma indenização de quase 404 milhões de euros, EUR 45 milhões deles correspondentes a ressarcimentos por danos morais.

A justiça anulou a sentença arbitral no início de 2015, ao suspeitar que houve fraude, e no dia 3 de dezembro, o tribunal de apelações de Paris condenou Tapie a reembolsar a totalidade dos 404 milhões de euros.

A escolha de não recorrer à justiça comum e preferir a arbitragem para resolver um caso que implicava dinheiro público suscitou muitas críticas em 2008.

O Tribunal de Justiça da República, única instância habilitada a julgar os delitos cometidos por membros de um governo em exercício, decidiu processar Lagarde por negligência na arbitragem do caso Tapie.

A justiça tenta determinar se a arbitragem foi produto de um "simulacro" organizado com o aval do governo do ex-presidente conservador Nicolas Sarkozy (2007-2012), para retribuir o apoio do empresário.

FMI mantém confiançaPor sua vez, o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que mantém sua confiança em Lagarde.

O Conselho de Administração do FMI, que representa os 189 membros da instituição financeira, "mantém a expressão de sua confiança na capacidade da diretora-gerente de manter de forma efetiva suas funções", anunciou nesta sexta-feira o porta-voz Gerry Rice.

Rice ressaltou que "não é apropriado" que o FMI faça comentários sobre o caso em si.

A diretor-gerente do FMI diz que sempre agiu preservando "o interesse do Estado" e "respeitando a lei".

"Eu sempre agi de boa fé", disse Lagarde em uma entrevista à AFP no início de julho

Apesar de tudo, processo não prejudicou a popularidade da ex-ministro na França, que continua a pensar em uma possível candidatura presidencial, embora ela tenha descartado a opção.

"Acho que sou melhor no que estou fazendo do que no mundo político, com seus atores tal como são agora", afirmou.

Com a confirmação do Tribunal de Cassação, Largarde se junta à lista de diretores-gerentes do FMI levados à justiça.

Antes dela, seu compatriota Dominique Strauss-Kahn, que teve que renunciar, foi inocentado das acusações de lenocínio em 2015, após uma série de escândalos sexuais que mancharam sua carreira política.

O espanhol Rodrigo Rato também foi acusado em vários casos de apropriação indevida quando dirigiu a instituição financeira Bankia, resgatada com fundos públicos.

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