Quatro hospitais da cidade síria de Aleppo atingidos em bombardeio

Beirute, 24 Jul 2016 (AFP) - Quatro hospitais de campanha e um banco de sangue da cidade síria de Aleppo (norte) foram atingidos por bombardeios nas últimas 24 horas, agravando a situação humanitária dos 200.000 habitantes dos bairros rebeldes cercados pelas forças do regime.

Em Damasco, bastião do presidente Bashar al Asad, oito pessoas morreram e mais 20 ficaram feridas por morteiros lançados pelos rebeldes, no primeiro ataque desse tipo há meses, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Em Alepo, tanto os hospitais como o banco de sangue estavam localizados no bairro de Al-Shaar, informou a Associação de Médicos Independentes (IDA), um grupo de médicos sírios que apoia os centros de saúde da cidade.

Um bebê de dois dias morreu em um dos hospitais por causa do corte de fornecimento de oxigênio após o bombardeio de sábado, acrescentou a associação.

Foi o segundo bombardeio no mesmo hospital em nove horas, segundo a IDA.

"Depois do segundo bombardeio, tivemos que transferi-lo (o bebê) para o andar de baixo, o refúgio antiaéreo, e por isso ele morreu", disse Malika, chefe da enfermaria do hospital infantil.

"O hospital está severamente danificado e não é a primeira vez", disse em uma conversa pela internet com os representantes da IDA à AFP.

Os quatro hospitais estavam fora de serviço neste domingo.

As áreas de Aleppo controladas pela oposição são um alvo frequente dos ataques aéreos do regime de Bashar al-Assad e da Rússia, que são aliados.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Síria se tornou o local de trabalho mais perigoso para os profissionais de saúde, com 135 bombardeios ou ataques contra instalações ou pessoas da saúde em 2015.

"Destruição da assistência"Um jornalista da AFP no leste de Aleppo afirmou que os bombardeios foram retomados depois de terem parado durante um breve tempo neste domingo pela manhã.

Nas ruas apenas circulavam as ambulâncias que se dirigiam a toda velocidade até as áreas bombardeadas.

Segundo a IDA, só permanecem em operação cinco hospitais nos bairros do leste de Aleppo, devastados pelo cerco do regime, que dura desde o início do mês.

"Depois de fecharem a última estrada de abastecimento neste mês, estamos enfrentando o desastre humanitário mais grave com a suspensão da assistência médica", disse o grupo.

"O cerco e a destruição da assistência de saúde constituem crimes de guerra. Exigimos o fim imediato do castigo coletivo infligido à cidade", denunciou a IDA.

Os bombardeios em Damasco, por sua parte, partiram de posições nos arredores da cidade, sob o controle rebelde, segundo o OSDH.

Os projéteis caíram nos bairros de Bab Touma, Bab As Salama e Qaymariyé. Nesta última zona os disparos atingiram um restaurante, informou o Observatório.

O conflito sírio, que começou em março de 2011, se converteu em uma complexa guerra com o envolvimento de uma multidão de atores locais, regionais e internacionais. Ele já deixou mais de 280.000 mortos e forçou milhares de pessoas a fugirem de seus lares.

Uma coalizão liderada pelos Estados Unidos bombardeia posições do grupo Estado Islâmico (EI) desde 2014 e a Rússia começou no ano passado uma campanha de bombardeios em apoio às forças do regime de Assad.

Governo se diz disposto a dialogarTodas as tentativas para que se respeite as tréguas entre rebeldes e o regime fracassaram nos últimos meses, assim como os esforços para alcançar um acordo político.

O Ministério de Relações Exteriores se mostrou disposto a "continuar com o diálogo inter-sírio, sem nenhuma condição prévia".

O comunicado, publicado pela agência de notícias oficial, Sana, que cita um responsável do Ministério, acrescenta que a Síria está "disposta a coordenar as operações aéreas contra o terrorismo no auge do acordo entre a Rússia e os Estados Unidos".

Moscou e Washington concordaram na semana passada a cooperar militarmente na Síria contra os grupos extremistas Estado Islâmico (EI) e Al-Nosra, facção local da Al-Qaeda.

Espera-se que o secretário de Estado americano, John Kerry, e seu colega russo, Serguei Lavrov, conversem sobre essa questão nesta semana em Laos, à margem de uma reunião da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).

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