Convenção democrata começa em pleno escândalo no partido

Filadélfia, Estados Unidos, 25 Jul 2016 (AFP) - A convenção democrata, na qual Hillary Clinton será nomeada oficialmente candidata à Casa Branca, começa nesta segunda-feira na Filadélfia (nordeste) em meio ao escândalo que levou à renúncia da presidente do partido.

Debbie Wasserman Schultz, atingida por um vazamento de e-mails internos, anunciou no domingo sua renúncia à presidência do Partido Democrata.

Nesta segunda, ao tentar discursar ante delegados no estado da Flórida (sudeste), que ela representa na Câmara baixa, foi vaiada e interrompida, o que a obrigou a sair escoltada do palanque.

Mais cedo, o FBI anunciou que investiga o ciberataque contra o Partido Democrata, após a publicação pelo WikiLeaks de e-mails comprometedores para a campanha da candidata Hillary Clinton.

O FBI procura determinar "a natureza e a amplitude" deste ciberataque, declarou em um breve comunicado.

Os democratas queriam aproveitar a convenção para transmitir a imagem de um partido unido e em ordem para as eleições presidenciais de novembro, diferentemente da convenção republicana, na qual no dia 21 de julho Donald Trump foi escolhido oficialmente como candidato.

Mas a aproximação da convenção, que contará com a participação de milhares de delegados democratas de todos os Estados Unidos, foi abalada na sexta-feira com a publicação pelo site WikiLeaks de quase 20.000 e-mails internos de líderes de alto escalão do partido, que mostram uma postura favorável a Hillary nas primárias.

Este aparente favoritismo foi algo que o ex-concorrente de Hillary, Bernie Sanders - que falará nesta segunda-feira na convenção - havia denunciado em várias ocasiões.

Horas antes, Sanders havia criticado novamente a parcialidade da liderança do partido no processo das primárias, que sempre considerou injusto para um "outsider" como ele: "O partido esteve do lado de Hillary Clinton desde o primeiro dia", declarou à rede NBC.

Derrotar TrumpMas o senador de Vermont preferiu não converter esta controvérsia em um 'casus belli'.

Provavelmente antecipando sua fala no discurso desta noite, Sanders pediu aos seus relutantes apoiadores que votem em Hillary a fim de barrar o avanço de Donald Trump rumo à Casa Branca, chamando o candidato republicano de um "demagogo".

"Temos que derrotar Donald Trump. Temos que eleger Hillary Clinton e Tim Kaine", disse o senador por Vermont durante comício celebrado horas antes da abertura da Convenção Nacional Democrata.

"Trump é um valentão e um demagogo", disse Sanders, cujo pedido de apoio a Hillary foi recebido com gritos de "Nós queremos Bernie!".

Pessoas próximas a Clinton sugeriram que os hackers russos (que acredita-se que tenham roubado as mensagens) fizeram isso "para ajudar Donald Trump". "É preocupante", declarou seu diretor de campanha, Robby Mook, à rede de televisão ABC.

Uma pesquisa realizada pela rede CNN e divulgada nesta segunda-feira mostra Trump à frente de Hillary em um cenário que considera um duelo direto e em outro no qual se somam a candidata do Partido Verde, Jill Stein, e o libertário Gary Johnson.

No confronto direto, Trump tem uma vantagem de 48% a 45% em intenções de voto, mas em um cenário de quatro candidatos supera Hillary por cinco pontos (44% a 39%), de acordo com a pesquisa.

Apesar das altas temperaturas, o centro da Filadélfia foi tomado no domingo por milhares de manifestantes, um ato maior e mais bem organizado que o dos grupos que protestaram durante a convenção republicana em Cleveland.

Em meio às várias demandas ecologistas, as camisetas e os cartazes a favor de Sanders eram onipresentes, e centenas de partidários do perdedor das primárias protestaram ruidosamente.

Muitos deles encararam no vazamento do WikiLeaks a confirmação de suas suspeitas: "As mensagens demonstram o que sabíamos desde o início", disse Dora Bouboulis, procedente de Vermont.

Mas os eleitores de Sanders apoiam Hillary em grande medida, segundo as pesquisas.

As novas promessas e os pesos pesados do Partido Democrata - entre eles o presidente Barack Obama e o ex-presidente Bill Clinton - pronunciarão discursos ao longo dos quatro dias de convenção, realizada no Wells Fargo Center.

Os oradores defenderão a experiência e a competência de Hillary Clinton, que foi primeira-dama, senadora e secretária de Estado, e denunciarão o discurso de divisão de Donald Trump.

"Na próxima semana na Filadélfia daremos uma visão muito diferente de nosso país", prometeu Hillary, de 68 anos, em um ato em Miami (Flórida) no sábado, com seu companheiro de chapa, Tim Kaine, senador pela Virgínia.

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