Democratas iniciam convenção para indicar Hillary Clinton

Filadélfia, Estados Unidos, 26 Jul 2016 (AFP) - O Partido Democrata iniciou nesta segunda-feira (25), na Filadélfia, a Convenção Nacional que deve formalizar a candidatura de Hillary Clinton à presidência dos Estados Unidos, em meio a um ambiente de tensão e à crise interna.

O pequeno estádio Wells Fargo Center foi palco de um ensurdecedor duelo entre os seguidores de Hillary e os do senador Bernie Sanders, finalistas nas prévias do partido.

Quando a pastora Cynthia Hale, convocada para as orações de abertura dos trabalhos, pronunciou o nome de Hillary foram claras as vaias seguidas de um intenso coro "Bernie, Bernie". Os delegados da ex-secretária de Estado fizeram sua parte e devolveram com um igualmente estrondoso "Hillary, Hillary".

Os democratas não deveriam encontrar dificuldades para formalizar a chapa presidencial composta por Hillary e pelo senador Tim Kaine. O partido chega à Convenção Nacional, porém, profundamente dividido e em crise, após o escândalo pelo vazamento de e-mails da direção do partido durante as prévias, os quais, claramente, beneficiavam Hillary.

A secretária do Comitê Nacional Democrata e prefeita da cidade de Baltimore, Stephania Rawlings Blake, encarregou-se de abrir os trabalhos da convenção, já que a presidente do partido, a representante Debbie Wasserman Schultz (Flórida), renunciou ontem.

Nesta segunda pela manhã, Debbie tentou discursar perante os delegados de seu estado, mas vaias e interrupções forçaram-na a sair escoltada do palco.

Foi nesse contexto, em um encontro com seus mais de 1.000 delegados prévio à abertura da convenção, que o senador por Vermont disse hoje que é necessário votar em Hillary para impedir a vitória do republicano Donald Trump.

Também hoje, Sanders enviou uma mensagem pessoal a seus delegados para pedir que evitem perturbações da ordem durante a convenção, defendendo que a principal disputa não se resume a eleger um presidente.

"Trata-se de transformar os Estados Unidos e continuar nossa luta por justiça econômica, social, racial e ambiental. Temos de continuar trabalhando juntos para tornar realidade o futuro progressista que todos apoiamos", declarou Sanders em sua nota.

Instantes depois do início da convenção, nesta segunda, o Comitê Nacional do Partido Democrata pediu desculpas a Sanders por comentários sobre sua campanha. De acordo com a nota divulgada, o partido "não tolera, nem vai tolerar linguagem desrespeitosa para com nossos candidatos".

Na sexta-feira (22), o vazamento na plataforma WikiLeaks de quase 20.000 e-mails privados de lideranças do partido mostrou como beneficiaram a campanha de Hillary Clinton e até discutiram formas de prejudicar Sanders.

Ontem, a presidente interina do partido, Donna Brazile, disse à imprensa que "mais e-mails" virão à tona e que, certamente, haverá neles "muitas coisas, pelas quais teremos de pedir desculpas".

"Em nome de todos os integrantes do Comitê Nacional, queremos apresentar nosso profundo e sincero pedido de desculpas ao senador Sanders, a seus seguidores e a todo o Partido Democrata, pelos imperdoáveis comentários feitos nos e-mails", acrescenta o comunicado, firmado, entre outros, por Donna Brazile.

De acordo com a nota, o Comitê Nacional "está adotando medidas para garantir que isso nunca mais aconteça".

O entorno de Hillary Clinton sugeriu que os hackers russos, que teriam roubado as mensagens, fizeram isso "para ajudar Donald Trump".

"É preocupante", disse seu diretor de campanha, Robby Mook, à emissora ABC.

Poucas horas antes do início da convenção, o FBI (a Polícia Federal americana) anunciou que investigará o roubo dos e-mails.

O órgão "está trabalhando para determinar a natureza e o alcance" do ciberataque dos servidores de e-mail do Comitê Nacional Democrata, informou o FBI.

Um pesquisa realizada pela rede CNN e divulgada nesta segunda mostra Trump à frente de Hillary, em cenários que consideram um duelo direto, assim como a candidata do Partido Verde, Jill Stein, e o libertário, Gary Johnson.

No choque direto, Trump tem leve vantagem, com 48% contra 45% de Hillary, das intenções de voto. Em um cenário de quatro candidatos, a diferença sobe para cinco pontos, com 44% contra 39%, segundo a pesquisa.

Apesar das altas temperaturas, o centro da Filadélfia foi tomado no domingo por milhares de manifestantes, em número muito maior e mais bem organizados do que os grupos que protestaram durante a convenção republicana em Cleveland.

Entre várias demandas ambientalistas, camisetas e cartazes a favor de Sanders eram onipresentes. Centenas de seus partidários protestaram fazendo bastante barulho.

Muitos deles veem no vazamento do WikiLeaks a confirmação de suas suspeitas: "as mensagens demonstram o que sabíamos desde o início", disse Dora Bouboulis, oriunda de Vermont.

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