Michelle Obama: após defender 'Barack', agora será apoio de Hillary

Filadélfia, Estados Unidos, 25 Jul 2016 (AFP) - Em 2008, e depois em 2012, Michelle Obama defendeu as virtudes de seu marido para chegar e, do mesmo modo, para permanecer na Casa Branca. Agora, será a vez de defender a candidatura da ex-secretária de Estado Hillary Clinton, a quem classifica de "mulher fenomenal".

Armada com uma sólida popularidade (com um índice constante acima dos 60%), a primeira-dama dos Estados Unidos é considerada um dos ativos mais importantes da atual campanha democrata.

Michelle discursará nesta segunda-feira à noite (25) no primeiro dia da Convenção Nacional Democrata, que acontece na Filadélfia e vai até quinta (28).

Seu estilo, seu olhar, sua personalidade forte e seu senso de humor cuidadosamente exposto: a primeira-dama é um atrativo para qualquer programa de entrevistas, pois sabe como cativar a audiência.

Em 2008, em Denver (Colorado), em seu primeiro teste oral diante dos delegados democratas, garantiu que seu marido seria um presidente "extraordinário", apoiando-se em uma série de anedotas sobre "Barack".

Ironicamente, esse discurso ressurgiu na semana passada, graças a Donald Trump. A mulher do magnata republicano, Melania, usou vários trechos desse texto na Convenção Nacional Republicana, evento que oficializou a candidatura de Trump à presidência dos EUA.

Quatro anos mais tarde, em 2012, em Charlotte (Carolina do Sul), Michelle garantiu que, depois de quatro anos no cargo, Obama era "o mesmo homem".

"Vi que ser presidente não muda você. Revela o que você é", ensinou.

Michelle, um ímã de eleitoresMuito procurada pelos candidatos ao Congresso para atrair eleitores, assim como pelo partido, para arrecadar fundos, Michelle Obama escolheu cuidadosamente suas aparições nos últimos oito anos.

Desta vez, as circunstâncias são um pouco diferentes. Para ajudar a eleger a primeira mulher presidente dos Estados Unidos, ela terá de agir como advogada da ex-rival de seu marido nas primárias de 2008, uma candidata cuja trajetória e ambições são, em muitos aspectos, diferentes das suas.

Além de sua aversão a tudo o que Donald Trump representa, o interesse político dos Obama é claro.

"Michelle Obama é consciente de que este é um momento político crucial e da importância que essa eleição vai ter na forma como será julgado o balanço de seu marido", explica o professor Peter Slevin, da Universidade de Northwestern, autor de uma biografia da primeira-dama.

A reforma do sistema de Saúde, o compromisso contra a mudança climática, o acordo nuclear com o Irã, ou a mão estendida a Cuba: Barack Obama sabe que se o bilionário republicano vencer a eleição em 8 de novembro, vai-se empenhar para fazer recuar boa parte, ou a totalidade, das ações mais emblemáticas de seu mandato.

Sem ambição políticaMichelle Obama põe seu carisma a serviço de uma candidata, em que esse é exatamente uma característica em falta. A primeira-dama também trabalhará para dar um ar mais otimista à estratégia democrata: oferecer uma visão brilhante de um país em marcha, para compensar a visão sombria e angustiante apresentada por Trump na convenção de seu partido.

Seu traquejo na arena política alimentou por quase oito anos os rumores sobre suas ambições eleitorais.

De infância modesta e formada em duas das mais importantes universidades do país, Princeton e Harvard, ela guarda uma diferença fundamental com a ex-secretária: não tem qualquer ambição no universo político.

"Embora tenha demonstrado talento para divulgar mensagens políticas, acho que não suporta a ideia de ser candidata, de arrecadar dinheiro e se render às limitações da vida política", afirma Slevin.

"Hillary Clinton é uma mulher impressionante", declarou Michelle, em abril, a um grupo de estudantes curiosos, ao ser questionada se seguiria o mesmo caminho da agora candidata democrata. Depois de ser primeira-dama, Hillary Clinton foi senadora por Nova York e secretária de Estado.

De imediato e de forma enfática, para não deixar dúvida, Michelle acrescentou que, quando sair da Casa Branca com a família, aos 53 anos, "não vou fazer o que ela fez, não vou entrar na carreira" política.

"Há outras coisas que quero fazer", desconversou.

No início deste ano, quando perguntaram a Barack Obama - de novo - sobre as intenções de sua mulher, ele tentou encerrar o debate mais uma vez.

Há três coisas certas na vida, declarou o presidente, bem-humorado: os impostos, a morte, que levará todos nós, e "o fato de que Michelle não será candidata à Presidência".

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