Democratas preparam nomeação de Hillary e seguem em busca da unidade

Filadélfia, Estados Unidos, 26 Jul 2016 (AFP) - O Partido Democrata prepara nesta terça-feira a nomeação de Hillary Clinton como sua candidata presidencial para a eleição de novembro, em um dia em que seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, se empanhará na difícil unidade partidária.

A ex-secretária de Estado tem o número suficiente de delegados para garantir a vitória na votação ao vivo que se realizará no Wells Fargo Center da Filadélfia, e deveria ser formalmente nomeada por volta das 19H00 de Brasília.

Assim, ela deverá se tornar a primeira mulher a ser candidata presidencial de um dos principais partidos políticos dos Estados Unidos. Seu companheiro de chapa é o senador Tim Kaine.

Na campanha pela Casa Branca, Hillary terá a sua frente o polêmico e carismático magnata Donald Trump, que há uma semana foi nomeado formalmente como candidato do conservador Partido Republicano.

A lista de oradores deste segundo dia inclui nada mais, nada menos que o ex-presidente Bill Clinton, marido de Hillary, considerado uma referência fundamental para os democratas e que deverá levar muito peso à candidatura da esposa.

Sanders volta a pedir unidadeMas se o resultado da votação não deve apresentar surpresas, a situação poderia acirrar a divisão dentro do partido diante da nomeação de Hillary e, por isso, a direção busca desesperadamente unificar os grupos.

O senador Bernie Sanders, cujos seguidores nas primárias resistem em apoiar Hillary, esteve nesta terça-feira em uma reunião com delegados do estado da Califórnia, e novamente o momento foi muito sensível.

"O que devemos fazer agora é derrotar Donald Trump e eleger Hillary Clinton. Ou mais tarde olharemos para trás e somente iremos nos arrepender", disse Sanders aos delegados que não se mostravam muito convencidos.

"Na minha opinião, é muito fácil vaiar, mas é mais difícil olhar o rosto das crianças que deverão viver em uma presidência do Trump", acrescentou o experiente senador, que nas primárias se tornou o representante dos eleitores irritados com o rumo do partido.

Desta forma, a grande incógnita da votação para nomear Hillary é a tendência que seguirão os adeptos mais radicais de Sanders, que fazem parte de um grupo que se chama "Bernie ou nada" e que resiste em apoiar a ex-secretária de Estado.

Sanders tem realizado esforços visíveis para convencer esses eleitores que a prioridade é impedir o triunfo de Trump, mas a inclinação desses numerosos ativistas é votar por Jill Stein, candidata do pequeno Partido Verde.

Em uma conversa informal com um grupo de jornalistas na convenção, o vice-presidente Joe Biden opinou que era necessário que esses eleitores pudessem expressar sua frustração.

"Deixem eles ficarem frustrados. Tudo vai ficar bem", disse Biden.

No entanto, fontes ligadas à campanha de Sanders disseram à imprensa que negociações estavam sendo realizadas para que o voto da nomeação de Hillary fosse uma expressão da unidade do partido.

O ex-presidente Bill Clinton será o orador principal nesta terça, com um discurso que, segundo fontes do partido, falará sobre as qualidades de sua esposa para ocupar a Casa Branca e insistirá na necessidade de os democratas se unirem.

Começo difícilA divisão ficou patente na segunda-feira, primeiro dia da convenção nacional, quando cada vez que o nome de Hillary era pronunciado pelos oradores, a plenária começava uma ensurdecedora briga de vaias e aplausos.

Ao fim do dia, no discurso mais esperado - o de Bernie Sanders - ele fez um dramático apelo à unidade do partido para garantir a vitória de Hillary e a derrota de Trump.

"Nestes momentos difíceis para nosso país, a eleição deve servir para nos unirmos, não para ficarmos divididos", disse Sanders. "Hillary Clinton será uma presidente extraordinária, e estou orgulhoso de estar aqui nesta noite a seu lado", acrescentou.

Em sua mensagem, o senador afirmou: "Não é um segredo que Hillary Clinton e eu discordamos de muitas coisas. Mas é disto que se trata, precisamente, uma campanha. Isto é a democracia".

A convenção democrata começou marcada pelo escândalo de quase 20.000 e-mails de dirigentes do partido, que foram vazados na sexta-feira passada (22) pelo WikiLeaks.

Nesses e-mails ficou evidente que em plena disputa interna, a direção Democrata discutiu formas de prejudicar a campanha de Sanders e beneficiar Hillary. O escândalo provocou a renúncia da presidente do Comitê Nacional do partido, a legisladora Debbie Wasserman Schultz.

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