Hollande rejeita endurecer legislação antiterrorismo

Paris, 26 Jul 2016 (AFP) - O presidente francês, François Hollande, rejeitou nesta terça-feira (26) os apelos da oposição de direita e de extrema-direita para endurecer ainda mais a legislação antiterrorista, após o atentado a uma igreja no noroeste do país.

Para Hollande, as leis votadas desde 2015 dão "capacidade para agir".

"Restringir nossas liberdades não trará eficácia à luta contra o terrorismo", declarou, em pronunciamento transmitido pela televisão, direto do Palácio Eliseu, em Paris.

"O governo aplica e aplicará com a mais extrema firmeza as leis que nós votamos e que dão à Justiça, aos administradores regionais [os chamados 'préfets'], às forças da ordem, a capacidade de agir, amplificada pela prolongação e pelo reforço do estado de emergência", garantiu Hollande.

Pela segunda vez, o presidente cancelou a viagem que faria à República Tcheca, dedicada a debater o pós-Brexit. Essa visita já havia sido adiada depois do atentado de Nice, no dia da festa nacional do 14 de Julho.

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, considerou, por sua vez, que "quando se ataca um padre, a Igreja Católica, vemos bem qual é o objetivo: jogar os franceses uns contra os outros, atacar uma religião para provocar uma guerra de religiões".

Desde o 14 de Julho, o governo está sob duras críticas na França por falhas nas medidas de segurança antiterroristas.

"Essa guerra será longa. O alvo dela é nossa democracia. Ela é o alvo, ela será nosso escudo", declarou o chefe de Estado.

"Francesas, franceses, vamos nos unir. É assim que ganharemos a guerra contra o ódio e o fanatismo. Porque, eu lhes garanto, nós ganharemos essa guerra", acrescentou.

Um pouco mais cedo, o ex-presidente Nicolas Sarkozy reivindicou do Executivo "mudar profundamente (...) a retaliação".

A direita exige, sobretudo, a detenção das pessoas em solo francês suspeitas de radicalização, além da adoção de uma "detenção de segurança" resultante de uma pena para as pessoas condenadas por crimes terroristas. A oposição reivindica ainda a criação de um "delito de permanência" em casos de operação terrorista.

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