Obama usa seu capital político para reforçar candidatura de Hillary

Filadélfia, Estados Unidos, 27 Jul 2016 (AFP) - O presidente Barack Obama será o principal orador desta quarta-feira (27) na Convenção Nacional Democrata para reforçar a candidatura de sua correligionária Hillary Clinton.

Apesar de Obama ter substituído Hillary à frente do Departamento de Estado em seu segundo mandato e de ter mantido uma neutralidade formal na disputa, nas prévias para as eleições não houve dúvidas de seu apoio a ela.

A primeira-dama, Michelle Obama, já deu sua contribuição na segunda-feira (25), com seu antológico discurso de apoio a Hillary no primeiro dia da convenção. Nele, destacou a importância histórica da chegada de uma mulher à Casa Branca.

Primeiro negro a chegar à presidência dos Estados Unidos, Obama dará, por sua vez, um testemunho privilegiado da importância de se criar agora as condições para que o partido leve uma mulher à Casa Branca.

Dessa forma, em seu discurso, Obama não defenderá apenas a candidatura de Hillary, como também seu próprio legado, como presidente que abriu as portas para mudanças fundamentais para a sociedade americana.

Trump rouba a cenaFiel a seu estilo, Trump usou hoje uma incendiária entrevista coletiva para atacar a Convenção Democrata e a eventual participação de Obama. Ainda teve tempo para pedir à Rússia que espione antigos e-mails de Hillary.

Para Trump, Obama é um "desastre", ou ainda, "o presidente mais ignorante de toda nossa história".

O candidato republicano descartou que sua campanha tenha qualquer relação com o suposto ato de pirataria dos e-mails do Comitê Nacional do Partido Democrata, cujo vazamento deflagrou um escândalo político considerável. A cúpula democrata responsabilizou a Rússia pelo ataque.

Trump sugeriu, porém, que a Rússia ajude a encontrar os quase 30.000 e-mails que Hillary Clinton diz ter apagado dos servidores privados, quando era secretária de Estado.

"A Rússia, se estiverem ouvindo isso, espero que seja capaz de encontrar os 30.000 e-mails que estão faltando", disse Trump.

Um assessor de alto perfil da equipe de Hillary, Jack Sullivan, acusou a campanha de Trump de fomentar a espionagem por parte de um país estrangeiro contra um adversário político.

"Deve ser a primeira vez que um candidato presidencial ativamente estimula uma potência estrangeira a conduzir espionagem contra seu oponente político", criticou Sullivan, acrescentando que o caso "passou de ser um assunto curioso para uma questão política, uma questão de Segurança Nacional".

Para um dos porta-vozes da campanha de Hillary, Brian Fallon, "é certamente inédito na história da política americana ver o candidato presidencial de um grande partido usar esse tipo de retórica".

De acordo com Fallon, esse fato é apenas "o mais recente exemplo de que Trump é um irresponsável, é perigoso e não está preparado para ser presidente".

Esforço pela unidade partidáriaDe acordo com porta-vozes da Casa Branca, Obama está trabalhando em seu discurso há várias semanas, o que ilustra a importância que dá à ocasião. Vale lembrar que foi justamente um discurso consagrador durante a convenção do partido em 2004 que fez decolar a carreira de Obama, proclamado candidato quatro anos mais tarde.

Hoje, um dos assessores da presidência, Eric Schultz, afirmou que Obama pretende "se concentrar em como a secretária Clinton tem os critérios, a mão firme e o intelecto para substituí-lo no Salão Oval".

Será também uma oportunidade para Obama usar todo seu peso político e popularidade para conseguir a união do partido em torno da candidatura de Hillary.

Em declarações à rede NBC nesta quarta, Obama alertou que os democratas devem se manter atentos até que todos os votos sejam contados e que devem prestar atenção à ameaça da abstenção.

"Meu conselho aos democratas - e não tenho de dar esse conselho a Hillary Clinton, porque ela sabe bem disso - é que se mantenham preocupados até que todos os votos estejam depositados e contados, porque um dos perigos em uma eleição é essa gente que não leva o desafio seriamente, que fica em casa, e acabamos conseguindo outra coisa", advertiu.

'Candidato real e candidato inventado'Hillary Clinton fez história nesta terça-feira (26) ao se tornar a primeira mulher a ser indicada como candidata à Casa Branca por um grande partido político dos Estados Unidos.

Foi o senador por Vermont Bernie Sanders que abriu mão de sua candidatura e apresentou a moção de declaração de Hillary como candidata oficial do partido.

"Apresento a moção de suspender as regras (...), a moção de que Hillary Clinton seja escolhida como a indicada pelo Partido Democrata para presidente dos Estados Unidos", disse Sanders.

Em meio a uma ovação ensurdecedora, a responsável pela condução da sessão fez uma rápida consulta com os delegados, e a moção de Sanders foi aprovada por aclamação.

Quase imediatamente, Hillary publicou na sua conta de Twitter uma foto dela mesma durante um ato de campanha, agradecendo aos delegados pela histórica jornada.

No discurso mais esperado do dia, o ex-presidente Bill Clinton relembrou a história de sua relação com Hillary, desde que a conheceu, em 1971.

Em um discurso interrompido várias vezes por aplausos, o ex-presidente afirmou que sua mulher "é a maior promotora de mudanças que já conheceu" e garantiu que ela está "extraordinariamente qualificada" para ocupar a Casa Branca após as eleições de novembro.

"Nunca esteve satisfeita com o status quo, sempre quer movimentar a bola para frente", declarou o ex-presidente, que pretende se tornar o "primeiro-cavalheiro" dos EUA.

Segundo Bill Clinton, os Estados Unidos estão diante de dois candidatos: "Um é real, e outro foi inventado. Vocês, meus amigos (eleitores), terão de decidir quem é quem".

Em seguida, Bill Clinton felicitou os delegados democratas por "terem nomeado o candidato real nesta eleição".

No encerramento do segundo dia de convenção, Hillary apareceu em um vídeo para agradecer ao Partido Democrata pelo apoio e saudou um dia histórico para as mulheres.

"Se há algumas meninas que ficaram acordadas até tarde para me ouvir, deixe-me dizer que posso ser a primeira mulher presidente (dos Estados Unidos), mas uma de vocês poderá ser a próxima".

"Que incrível honra vocês que deram!", declarou a ex-secretária de Estado e agora candidata à presidência, que agradeceu a "todos os que lutaram tanto para que isso fosse possível".

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