Abdel Petitjean, um jovem discreto e fichado recentemente por radicalização

Aix-les-Bains, França, 28 Jul 2016 (AFP) - O segundo extremista envolvido no assassinato do padre na França, Abdel Malik Petitjean, era, segundo seus conhecidos, um jovem tranquilo, que frequentava a mesquita e que só há pouco tempo entrou nos radares dos serviços antiterroristas.

"Não se preocupa. Está tudo bem, dorme. Te amo", foi a última mensagem deste francês de 19 anos enviada pelo celular para sua mãe.

Ele tinha a mesma idade que seu cúmplice, Adel Kermiche, e, como ele, sua família tem origens argelinas. Morava na turística localidade de Aix-les-Bains, nos Alpes franceses, a 700 km de onde realizou o ataque.

Foi formalmente identificado nesta quinta-feira como o segundo homem envolvido no ataque de terça contra a igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray (noroeste), onde o padre Jacques Hamel, de 86 anos, foi degolado.

O assassinato foi reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI), que difundiu na véspera um vídeo dos dois homens jurando lealdade a esta organização.

Abdel Malik Petitjean, que aparece nas imagens com uma barba curta, obteve um diploma técnico em 2015 e, desde então, trabalhava de forma temporária no aeroporto de Chambéry (leste) e depois em uma loja.

Segundo seu curriculum vitae, gostava de filmes de ficção científica, videogames, música e boxe.

Kermiche se radicalizou há alguns meses e foi detido por ter tentado ir à Síria em 2015, enquanto que Petitjean nunca teve ficha criminal, o que atrasou sua identificação.

No entanto, os serviços antiterroristas franceses o tinham fichado em junho, quando também tentou viajar para a Síria.

No bairro modesto em que morava, os vizinhos o descreviam como um jovem perfeitamente normal.

Enquanto seu apartamento era revistado pelos serviços antiterroristas, sua mãe, Yamina Boukezzoula, não conseguia acreditar na culpa do filho.

"Conheço meu filho. Conheço meu filho, ele não está envolvido em nada", repetia sem parar.

Nascido em Saint-Dié-des-Vosges (leste), em 14 de novembro de 1996, Abdel Malik Petitjean tinha duas irmãs e teve uma infância normal.

Frequentava a mesquita perto de seu bairro, segundo o presidente da associação que administra o templo e que o reconheceu no vídeo divulgado na quarta.

"Gostava muito dele. Nunca tivemos problemas com ele. Nenhum sinal estranho... sempre sorridente... É incrível. Todos os fiéis estão abalados porque o conheciam por sua amabilidade, sua tranquilidade. Nunca vimos um sinal sequer de radicalização. O que se passou na cabeça dele?", questionou Djamel Tazghat, presidente da associação.

"É difícil de acreditar. Ele era contra o Daesh" (EI em árabe), não era radical", comenta Hakim, de 17 anos, que se apresentou como um amigo.

Sua mãe contou que Abdel Malik havia dito a ela na segunda que ia visitar um primo em Nancy (leste).

Na quarta à tarde a mãe ainda se aferrava à crença de que seu filho nada tinha a ver com os fatos. "Malik, sou eu, mamãe, não sei onde você está. Tenho uma notícia ruim. Liga para mim porque a polícia veio e está dizendo besteiras. Espero que não tenha acontecido nada com você, filho. Te amo", disse, na mensagem que deixou no celular do filho.

aag-grd/fga/blb/prh/alc/es/jz/cn

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos