Combate à corrupção, insegurança e desigualdade: prioridades de Kuczynski

Lima, 28 Jul 2016 (AFP) - O novo presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, anunciou uma luta direta contra a corrupção, a insegurança dos cidadãos e as desigualdades sociais, em sua primeira mensagem à nação após assumir o cargo, para o qual pediu o apoio do Congresso, de maioria opositora.

O presidente de 77 anos ficou com a voz embargada no momento de prestar juramento nesta quinta-feira (28) no Congresso, cerimônia que coincide com os 195 anos da independência do Peru, fazendo um chamado à paz, rejeitando o confronto e a divisão, em um país que ficou polarizado após duras eleições.

Deixou claro as prioridades de seu mandato de cinco anos e disse que "não terá escrúpulos para combater a corrupção".

"Não permitirei que, especialmente meus funcionários e colaboradores mais próximos, caiam na indignidade da corrupção. Quem falhar acabará diante da justiça, a qual deve ser profundamente reformada", disse Kuczynski, um banqueiro de sucesso de Wall Street.

Segundo a controladoria, a corrupção gera perdas ao país em cerca de 3 bilhões de dólares anuais.

O Peru, disse, necessita de uma justiça independente, autônoma para lutar contra a corrupção e que seu governo se comprometa em fortalecê-la e reformá-la para que seja eficaz.

"Se você quer um país moderno, uma nação mais honesta, é necessário que toda a sociedade se levante para lutar contra a corrupção", afirmou.

"Revolução social"Também defendeu uma "revolução social" para que o Peru seja um país moderno, mais justo, mais igualitário e mais solidário. Kuczynski disse que um país moderno significa que as desigualdades entre os mais pobres e os mais ricos devem ser resolvidas aumentando a renda dos mais pobres.

"Como colocar mais dinheiro nos bolsos dos peruanos?", perguntou-se para responder que conseguiria isto "igualando o acesso aos serviços essenciais que hoje são escassos ou inexistentes e, portanto, extremamente custosos".

Esse objetivo será alcançando fechando as brechas no acesso à saúde e à segurança social, colocando o bem-estar das pessoas como meta fundamental de qualquer mudança ou reforma, disse.

Para o presidente, ser um país moderno "significa o respeito irrestrito à dignidade da mulher e aos seus direitos, respeito a uma vida plena, a um salário igual em uma trabalho igual, a sua integrada participação política nas decisões e no governo", e sem discriminação aos povos originários, em uma nação onde o índice da pobreza é de 22%.

Kuczynski pretende fortalecer as instituições para enfrentar a insegurança dos cidadãos, o maior problema para 70% dos peruanos.

Para alcançar seus planos e reativar a economia, ele propõe solicitar faculdades extraordinárias para legislar e poder reduzir o imposto nas vendas de 18% para 17% no primeiro ano, e chegar ao final de sua gestão com 60% da economia formalizada (atualmente a informalidade é de 70%).

Neste aspecto, será chave o apoio da bancada opositora fujimorista "Fuerza Popular", que conta com 73 das 130 cadeiras. "Não posso fazer isso sozinho (...) necessito da ajuda deste Congresso emblemático da democracia", pediu Kuczynski.

Na quinta-feira, também prestaram juramento os 19 ministros de seu gabinete, chefiado pelo economista Fernando Zavala, com um perfil altamente técnico. A pasta da Economia está a cargo de Alfredo Thorne, ex-chefe de análises para a América Latina do JP Morgan Chase e ex-economista principal do Banco Mundial.

Nas Relações Exteriores assumiu Ricardo Luna, diplomata de carreira e ex-embaixador do Peru na ONU. O gabinete pedirá a confiança do Congresso em 15 de agosto, como determina a lei.

Ao final da cerimônia, o presidente regeu uma orquestra sinfônica infantil e tocou flauta. Ele é concertista da Royal College of Music.

A oposição fujimoristaA equipe fujimorista não aplaudiu em nenhum momento, nem o juramento ou o discurso do presidente, reclamaram os parlamentares oficialistas. A congressista fujimorista Cecilia Chacón já adiantou nesta quinta-feira que a iniciativa para diminuir o imposto não será aprovada.

Kuczynski ganhou a eleição num apertado segundo turno em que competiu com Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), que cumpre uma condenação de 25 anos, até 2032, por crimes contra a humanidade.

Nesta quinta-feira, Keiko Fujimori também enviou uma mensagem a seus simpatizantes pela independência do país. "Vamos converter as propostas de nosso plano de governo em leis e apoiaremos todas as iniciativas que beneficiarem o povo. Furza Popular também saberá levantar sua voz nas vezes que sejam necessárias", disse em uma mensagem gravada.

Analistas consideram que os fujimoristas podem utilizar uma recente solicitação de indulto humanitário solicitado por Alberto Fujimori como moeda de troca para seu apoio.

Kuczynski, cuja posse levou diversou presidentes ao país, já adiantou que não assinará um indulto, mas se mostrou a favor de promulgar uma lei que permita que cidadãos como Fujimori, de 78 anos e saúde debilitada, possam cumprir sua condenação em prisão domiciliar e não na cadeia.

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