Rússia anuncia criação de corredores humanitários na Síria

Alepo, Síria, 28 Jul 2016 (AFP) - A Rússia, um grande aliado de Damasco, anunciou nesta quinta-feira o estabelecimento de corredores humanitários para os civis e combatentes prontos para depor as armas na cidade síria de Aleppo, onde os bairros rebeldes estão sujeitos a um cerco das tropas do regime.

Esta iniciativa inédita poderia conduzir à retomada total pelo regime de Bashar al-Assad da segunda cidade e ex-capital econômica da Síria e um golpe fatal para a rebelião.

Juntamente com o anúncio russo, Assad declarou uma anistia para todos os rebeldes que depuserem as armas dentro de três meses a contar da data da publicação do presente decreto.

Os bairros rebeldes de Aleppo, localizados na zona leste da cidade, estão completamente sitiados desde 17 de julho pelas forças do governo. Nenhuma ajuda internacional tem sido capaz de entrar nestes setores da cidade dividida desde 7 de julho, quando os soldados de Assad conseguiram cortar a estrada Castello, a última rota de abastecimento para os rebeldes.

Constatando "uma situação humanitária difícil", o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, anunciou nesta quinta-feira uma "operação humanitária de grande escala" na metrópole do norte com a criação de corredores humanitários para os civis e combatentes prontos a se render.

Segundo ele, três corredores humanitários vão ser formados com as forças do governo "para os civis reféns dos terrorismo, bem como os combatentes que desejarem depor as armas".

Um quarto deverá ser aberto na estrada Castello, a fim de permitir "a passagem em segurança dos combatentes armados", acrescentou, informando que a operação deverá começar já nesta quinta-feira.

DesafioA televisão estatal síria anunciou por sua vez a "abertura de três passagens para permitir a saída dos cidadãos dos bairros do leste", acrescentando que "tudo estava pronto para recebê-los em estruturas temporárias".

O correspondente da AFP que visitou o local perto de um dos corredores em questão constatou, no entanto, que as estruturas seguem fechadas e que não havia nenhum movimento do lado civil.

Ele também relatou que os aviões do regime lançaram nesta quinta-feira no setor rebelde panfletos mostrando um mapa dos quatro corredores, bem como dezenas de bolsas com alimentos (pão, marmelada, açúcar, etc), fraldas, shampoo e compressas. Muitos produtos eram de marcas russas.

A oposição no exílio rejeitou a iniciativa russa, denunciando "crimes de guerra" em Aleppo e um "êxodo forçado" dos habitantes do setor rebelde.

O enviado da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, afirmou que as Nações Unidas "não foram consultadas" sobre a operação humanitária. "A situação é extremamente séria (...). Provavelmente há provisões para duas ou três semanas apenas", alertou.

Paris e Londres, que apoiam a oposição síria, pediram o fim do "desastroso" cerco a Aleppo, considerando que esta situação "torna impossível o reinício das negociações de paz".

Os meios de comunicação oficiais têm lançado há dois dias uma chamada do exército pedindo aos moradores dos bairros controlados pelos insurgentes "pela reconciliação nacional e para expulsem os mercenários estrangeiros", referindo-se aos rebeldes.

Grande desfaio deste conflito, a antiga capital econômica da Síria está dividida desde 2012 em bairros controlados pelo regime a oeste e as áreas controladas pelos rebeldes no leste.

Lançando barris explosivos destrutivos, o regime procura há meses retomar as áreas rebeldes da cidade.

Em 17 de julho, as tropas cercaram os bairros rebeldes e nesta quinta-feira perseguiam os rebeldes em Bani Zeid, de onde os insurgentes estavam disparando foguetes contra as zonas controladas pelo regime.

A organização Human Rights Watch acusou as forças pró-regime de utilizar armas com munições proibidas em seus ataques contra os rebeldes.

O presidente Assad decretou na quinta-feira uma anistia para todos os rebeldes que depuseram as armas, informou a agência oficial de notícias Sana, enquanto os insurgentes estão completamente sitiados em Aleppo.

"Qualquer pessoa armada (...) e sendo procurada pela justiça (...) estará isenta de punição se render-se e depor suas armas no prazo de três meses a contar da data da publicação do presente decreto", diz o texto da presidência reproduzido pela Sana.

De acordo com analistas, a perda de Aleppo poderia significar o começo do fim para a rebelião e um ponto de viragem na guerra na Síria, que matou mais de 280 mil pessoas em cinco anos e levou milhões de pessoas a fugir.

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