Flórida registra casos de provável transmissão de zika por mosquitos

Miami, 30 Jul 2016 (AFP) - Quatro casos de infecção pelo vírus zika no estado da Flórida foram os primeiros a ser, muito provavelmente, transmitidos localmente por mosquitos nos Estados Unidos, informaram autoridades nesta sexta-feira, marcando o início de uma nova fase da epidemia no país.

Até agora, mais de 1.600 casos de zika foram registrados na zona continental dos Estados Unidos, mas a maioria envolvendo pessoas que se infectaram quando viajavam por países onde o vírus está ativo, e um pequeno número foi de contágios por contato sexual.

"Como tínhamos antecipado, o zika agora está aqui", disse Tom Frieden, diretor dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), em uma conferência telefônica.

Os investigadores determinaram que "existe uma alta probabilidade" de que quatro casos de suspeita de zika não relacionados a viagens, registrados nos condados de Miami-Dade e Broward, "são resultado de transmissão local", declarou o Departamento de Saúde da Flórida em um comunicado na sexta-feira.

"O departamento acredita que a transmissão ativa do vírus zika está ocorrendo em uma pequena área do condado de Miami-Dade, ao norte do centro", acrescenta o comunicado.

Os CDC confirmaram que "os casos são provavelmente as primeiras ocorrências conhecidas de transmissão local do vírus por mosquitos no território continental dos Estados Unidos".

Frieden disse que as autoridades não têm planos imediatos de limitar as viagens para a área de transmissão.

"Todas as evidências indicam que esta é uma transmissão por mosquitos que ocorreu há algumas semanas em vários quarteirões em Miami," disse Frieden em um comunicado.

"Continuamos recomendando que todos em áreas onde os mosquitos Aedes aegypti estão presentes, especialmente mulheres grávidas, tomem medidas para evitar picadas de mosquito".

O governador da Flórida, Rick Scott, disse em uma coletiva que três dos casos envolvem homens e o quarto, uma mulher, sem detalhar se está grávida.

"Todos eles são casos ativos de zika, e não apresentaram sintomas para serem admitidos no hospital", disse Scott.

Nenhum dos testes em mosquitos na pequena área do sul da Flórida onde os casos estão localizados deu positivo para o vírus, disseram as autoridades.

Más-formaçõesO zika é propagado através da picada do mosquito Aedes aegypti ou de contato sexual.

Na maioria dos casos, o vírus causa apenas sintomas brandos. Pode provocar, porém, malformações congênitas graves e irreversíveis, como a microcefalia, que se caracteriza por um desenvolvimento insuficiente do cérebro, em fetos de mulheres que foram infectadas durante a gravidez.

O estado da Flórida já registrou quase 400 casos de zika, todos em pessoas que foram infectadas durante viagens para países onde o vírus circula.

Nos Estados Unidos, 1.657 pessoas já foram infectadas, também durante viagens, incluindo 433 mulheres grávidas, segundo Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas.

"Isso não é inesperado", disse Fauci durante uma palestra na sexta-feira no Centro de Política Bipartidária em Washington. "Tenho quase certeza de que vamos ver mais casos", completou.

Para que o zika se torne um vírus de transmissão local no território continental dos Estados Unidos, um mosquito tem de picar uma pessoa infectada e, em seguida, picar outra pessoa, passando o vírus.

O zika se espalhou rapidamente por toda a América Central e do Sul e o Caribe. A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que 64 países registraram casos de transmissão do vírus por mosquitos desde 2015.

O território americano de Porto Rico já diagnosticou 5.582 pessoas infectadas, incluindo 672 mulheres grávidas, informou o CDC na sexta-feira.

"Porto Rico está no meio de uma epidemia de Zika", disse Lyle Peterson, gerente de incidentes para a resposta ao zika do CDC.

"Isso pode levar ao nascimento de centenas de crianças com microcefalia ou outras malformações no ano que vem. Devemos fazer todo o possível para proteger as mulheres grávidas do zika e para nos prepararmos para cuidar de recém-nascidos com microcefalia", acrescentou.

O Brasil é o país mais afetado pelo surto de malformações congênitas associadas ao zika, com 1.749 casos de microcefalia ou alterações no sistema nervoso sugestivas de infecção, segundo o último boletim do Ministério da Saúde, divulgado em 27 de julho.

FinanciamentoEm fevereiro, a Casa Branca pediu US$ 1,9 bilhão para financiar o combate ao zika, mas os legisladores ainda não decidiram sobre a questão.

O presidente Barack Obama foi informado sobre a situação na Flórida na sexta-feira, disse um porta-voz.

"O presidente tem orientado sua equipe a se certificar (...) de que estamos fornecendo todos os recursos e suporte ao governador que pudermos", disse o secretário de imprensa da Casa Branca Eric Schultz.

"A notícia de hoje deve ser um alerta para o Congresso voltar ao trabalho", completou.

"Esta é a notícia que temíamos", disse Edward McCabe, vice-presidente sênior e diretor médico da organização americana March of Dimes, que trabalha pela saúde de mães e bebês.

"É apenas questão de tempo para que os bebês nasçam com microcefalia (...), devido à transmissão local do zika na zona continental dos Estados Unidos", alertou.

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