Cristãos e muçulmanos prestam homenagem a padre francês degolado

Paris, 30 Jul 2016 (AFP) - Quatro dias depois do assassinato de um padre em uma igreja na França, várias manifestações de solidariedade reuniram cristãos e muçulmanos, enquanto a investigação avança com a prisão de um homem vinculado ao brutal ataque extremista.

Centenas de pessoas marcharam pelas ruas de Lyon (leste) em homenagem ao padre Jacques Hamel, um sacerdote de 85 anos degolado na terça-feira (26) em uma igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray (noroeste).

Cartazes como "Venceremos graças à fraternidade", "Isto não é uma guerra de religiões" e "Todos somos irmãos e irmãs" davam o tom de uma manifestação convocada por várias associações locais, com o apoio do Conselho Regional do Culto Muçulmano (CRCM).

Após o drama de Saint-Etienne-du-Rouvray, "nos pareceu essencial não deixar espaço para a resignação e para o medo, de fazer um ato de coesão, de incentivar a paz e a convivência", explicou o presidente do CRCM, Abdelkader Bendidi, em um comunicado.

"Estamos aqui para manifestar nossa solidariedade, mostrar que as três religiões do Livro podem estar juntas e conviver", explicavam à AFP Jeannine e François Marre, membros da associação Educação Católica.

Em Bordeaux (sudoeste), cerca de 400 pessoas assistiram à missa da tarde.

Em Saint-Etienne-du-Rouvray, a localidade onde ocorreu o ataque, a outra igreja estava repleta para a missa das 18h, na qual ocorreria uma vigília. Entre os 300 fiéis havia meia centena de muçulmanos. Na sexta-feira (29), fiéis muçulmanos e cristãos rezaram juntos na igreja e na mesquita Yahia.

O Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM) convidou dois fiéis para se apresentarem nas igrejas durante o momento da missa. A Conferência Episcopal Francesa (CEF) pediu às paroquias que os acolhessem de maneira "fraternal".

- Prossegue a investigação -Duas pessoas, o primo de um dos assassinos e um refugiado sírio, continuavam neste sábado em prisão preventiva, quatro dias depois do assassinato do padre Jacques Hamel, de 85 anos, que foi degolado enquanto celebrava a missa. O ataque, o primeiro contra um religioso católico, foi reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI).

Ao mesmo tempo, uma fonte próxima à investigação revelou que um menor de 17, que havia tentado ir à Síria com um dos autores do ataque, foi detido em Genebra poucos dias antes do atentado, depois de voltar a tentar viajar. Até agora, contudo, "nada demonstra que tenha um envolvimento" no atentado", advertiu a fonte.

Os investigadores tentam trazer à tona a rede, na qual se movimentavam os dois terroristas, Abdel Malik Petitjean e Adel Kermiche, dois franceses de 19 anos, detectados separadamente pelos Serviços de Inteligência franceses.

Além das duas pessoas em prisão preventiva, outro homem fichado por radicalização foi detido em 25 de junho. Na sexta-feira, ele foi acusado de crime de associação criminosa com fins terroristas.

Em sua casa, a polícia encontrou um vídeo, no qual Petitjean jurava lealdade ao EI e falava de uma "ação violenta".

Em outra investigação paralela, um francês de 20 anos foi detido. Havia viajado à Turquia no início de junho junto com Petitjean, antes de ambos serem devolvidos à França.

O testemunho das duas religiosas mantidas como reféns na igreja forneceu dados cruciais sobre como o ataque ocorreu.

Em uma entrevista ao semanário católico francês La Vie, relataram que, depois do assassinato do sacerdote, conseguiram conversar com os terroristas.

"Enquanto existirem bombas na Síria, continuaremos com os atentados", eles teriam dito.

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, reconheceu na sexta-feira o "fracasso" do acompanhamento judicial de Adel Kermiche, que estava sob prisão domiciliar com uma pulseira eletrônica à espera de julgamento.

Na sexta-feira, a Áustria entregou dois homens à França, um argelino e um paquistanês, suspeitos de querer participar dos atentados de Paris de 13 de novembro passado.

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