Trump tem 'alma negra', diz pai de militar muçulmano dos EUA morto no Iraque

Washington, 31 Jul 2016 (AFP) - O candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, tem uma "alma negra" e é incapaz de gerar empatia - acusou neste domingo (31) Khizr Khan, pai de um militar americano muçulmano morto no Iraque, que mantém um duelo verbal com o magnata nos últimos dias.

"Essa pessoa é totalmente incapaz de gerar empatia. Quero que sua família o aconselhe, ensine-o a dar prova de empatia. Seria uma pessoa melhor (...) mas tem uma alma negra", disse Khan na rede CNN com a voz embargada pela emoção, afirmando que o Partido Republicano deveria "repudiar" Trump.

Seu discurso pronunciado na quinta-feira passada (28) contra o multimilionário empresário no último dia da Convenção Nacional Democrata, que nomeou Hillary Clinton como candidata à Presidência, teve grande repercussão nos Estados Unidos. Nele, Khan denunciou as declarações antimuçulmanas e contra os imigrantes feitas por Donald Trump ao longo das prévias eleitorais.

Ontem, o candidato republicano reagiu duramente às palavras de Khan, destacando o fato de sua esposa, Ghazala Khan, permaneceu em silêncio ao seu lado durante a convenção.

"Se olhar sua esposa, ela estava parada ali. Não tinha nada a dizer", declarou Trump em uma entrevista, acrescentando que "talvez não tenha permitido que ela dissesse nada".

Khan não demorou para responder essas observações.

"Para um candidato à Presidência ignorar o status de uma mãe 'Gold Star' [organização de apoio às mães de soldados mortos em combate], ir atrás dela, é o cúmulo da ignorância", respondeu Khan, invocando, ainda, a frágil saúde de sua mulher.

"Aqui está minha resposta a Donald Trump", escreveu a esposa de Khan, neste domingo (31), em artigo de opinião do jornal "The Washington Post", no qual conta que seu filho "queria ser advogado, como seu pai, para ajudar as pessoas".

"Quando entrei no palco da convenção, com essa grande foto do meu filho atrás de mim, eu mal conseguia me conter", escreveu Ghazala. "Mesmo falar continua sendo difícil para mim", completou.

Em entrevista divulgada neste domingo pela rede ABC, Trump voltou a responder: "Eu lamento profundamente a morte de seu filho, senhor Khan, a quem nem cheguei a conhecer, mas não tem o direito de parar diante de milhões de pessoas e declarar que eu nunca li a Constituição (o que é falso)".

Mas Trump teve o cuidado de classificar Humayun Khan, um capitão americano morto em combate no Iraque em 2004 quando tinha 27 anos, como um "herói".

"Donald Trump disse que ele fez muitos sacrifícios. Ele não sabe o que significa a palavra sacrifício", escreveu Ghazala Khan, que chegou há décadas aos Estados Unidos procedente do Paquistão.

Além disso, completou, "quando Donald Trump fala do Islã é ignorante".

"Se estudar o verdadeiro Islã e o Corão, todas as ideias que ele faz, por causa dos terroristas, mudariam", conclui Ghazala em seu artigo.

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