Ataques de Trump a pais de soldado muçulmano revoltam os EUA

Washington, 1 Ago 2016 (AFP) - O magnata Donald Trump era alvo de duras críticas, nesta segunda-feira (1º), inclusive de seus correligionários republicanos, depois de atacar a família de um oficial americano muçulmano morto em combate, tema tabu nos Estados Unidos e um passo em falso que pode lhe custar caro.

"É hora de Donald Trump dar o exemplo ao nosso país e ao Partido republicano", declarou em nota, bastante indignado, o respeitado senador pelo Arizona, o republicano John McCain, ele mesmo um veterano de guerra.

Desta vez, Trump foi criticado por todos os lados por insultar publicamente a família do capitão muçulmano do Exército americano Humayun S. M. Khan, morto no Iraque em 2004, quando tentava salvar seus homens.

Em discurso na quinta-feira passada (28) contra o magnata, no último dia da Convenção Nacional Democrata, Khizr Khan, pai do soldado, rejeitou as declarações de Trump contra muçulmanos e contra imigrantes. Khan estava acompanhado da mulher, Ghazala, que ficou o tempo todo a seu lado em silêncio.

"O senhor Khan, que não me conhece, me atacou viciosamente do púlpito do Partido Democrata e continua fazendo isso agora na TV - simpático!", alfinetou o bilionário no Twitter, nesta segunda-feira, depois de já ter investido contra a família Khan, nos últimos dias.

"Se olhar sua esposa, ela estava parada ali. Não tinha nada a dizer", declarou Trump, completando: "talvez não tenha permitido que ela dissesse nada".

Em artigo de opinião publicado no jornal "The Washington Post" no domingo, Ghazala Khan rebateu Trump, explicando que a dor a impedia de falar.

"O fato de que o partido o tenha indicado, não lhe dá o direito de difamar os melhores de nós", reclamou McCain em seu comunicado.

'Um covarde'Um herói da guerra do Vietnã, onde foi mantido prisioneiro, McCain agradeceu à família Khan "por ter imigrado para os Estados Unidos".

"Seu filho era o que os Estados Unidos têm de melhor e a memória de seu sacrifício fará de nós uma nação melhor. Ele nunca será esquecido", acrescentou.

McCain já foi alvo das ironias do candidato republicano, que questionou sua condição de "herói", já que foi levado pelas fileiras inimigas.

"Eu, eu quero gente que não foi capturada", disse Trump há um ano.

Depois dessa última bravata, a neta do senador, Caroline McCain, uma republicana, anunciou hoje que votará na democrata Hillary Clinton em 8 de novembro. Para ela, é "imperdoável" a atitude de Trump, "um covarde".

Outro duro golpe para o polêmico candidato foi dado pelas famílias de 17 soldados caídos no campo de batalha, que criticaram suas declarações "repugnantes e pessoalmente insultantes para nós".

Trump resiste, porém.

Quando atacou McCain, a indignação foi tamanha que muitos acreditaram que não iria superá-la. Não apenas superou, como conquistou a indicação do partido, deixando para trás os demais 16 oponentes das prévias. Em maio passado, o próprio McCain anunciou seu apoio ao magnata, embora não tenha participado da Convenção Nacional.

Agora, do mesmo modo como já havia acontecido quando Donald Trump chamou os mexicanos de "estupradores", ou quando colocou em xeque a integridade de um juiz de origem mexicana, a cúpula do Partido Republicano repudiou suas declarações, mas sem retirar seu apoio.

O Prêmio Nobel da Economia e editorialista do jornal "The New York Times", o americano Paul Krugman, atacou a liderança partidária, alegando que "os verdadeiros pecadores são os dirigentes republicanos (...) que apoiam ativamente um candidato que - sabem - representa um perigo para a nação".

Fortalecida pela Convenção de seu partido, cujos efeitos aparecem em pesquisa da rede CBS publicada nesta segunda, a candidata democrata Hillary Clinton pediu aos republicanos no domingo que optem pelos "interesses do país, no lugar dos do partido".

A enquete da CBS dá a Hillary sete pontos de vantagem sobre Trump, com 46% contra 39%.

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