Obama critica Trump e líderes republicanos que apoiam o magnata

Washington, 2 Ago 2016 (AFP) - O presidente americano, Barack Obama, criticou nesta terça-feira a capacidade de Donald Trump atuar como presidente e questionou como os líderes republicanos continuam apoiando o candidato oficial do partido conservador ante suas declarações tão incendiárias.

Falando em coletiva de imprensa junto ao primeiro-ministro de Cingapura, Obama surpreendeu ao fazer uma crítica tão contundente e sem precedentes.

Para Obama, o polêmico magnata não está preparado e não tem condições de ser presidente dos Estados Unidos.

"Ele está dando provas disso", afirmou.

"Não se trata de uma situação em que acontece uma gafe episódica. É algo diário e semanal e eles estão se distanciando das declarações que ele faz", comentou Obama em alusão ao senador John McCain e ao presidente da Câmara, Paul Ryan.

"Tem que haver um ponto em que você diz: essa não é uma pessoa que eu possa apoiar para ser presidente dos Estados Unidos, mesmo que seja um membro de meu partido", acrescentou.

"Acredito que o candidato republicano é incapaz de atuar como presidente. Eu disse isso na semana passada, sentenciou Obama, em referência à Convenção Nacional do Partido Democrata, que nomeou Hillary Clinton como sua candidata oficial.

Na ocasião, Obama deu seu total apoio a Hillary e a definiu como a melhor pessoas para assumir as rédeas dos Estados Unidos.

Mas seus comentários desta terça adquiriram um significado altamente pessoal na escalada da retórica presidencial.

"Já houve presidentes republicanos dos quais eu discordava, mas não tinha dúvidas que poderiam atuar como presidente", declarou ainda.

O momento da coletiva também foi relevante, já que foi antecipada para uma hora para coincidir com um comício de Trump.

O candidato republicano respondeu a Obama em um comunicado por escrito, ao descrever seus dois mandatos como um exemplo de "liderança fracassada".

"Chega"Recordando seus oponentes nas eleições de 2012 e 2008, Obama disse que "Mitt Romney e John McCain estavam errados sobre certas questões políticas, mas nunca pensei que não poderiam fazer o trabalho".

"Esse não é o caso agora", alfinetou.

As declarações de Obama foram feitas em meio a um ácido intercâmbio verbal entre Trump e Khizr Khan, um muçulmano pai de um soldado americano morto em combate, que disse que o candidato republicano "nunca sacrificou nada".

Trump também foi criticado recentemente por aparecer em uma entrevista na TV demonstrando não estar informado sobre a anexação da Crimeia por parte da Rússia em 2014, depois a ocupação da Ucrânia.

"O fato do candidato republicano atacar uma família que fez sacrifícios extraordinários por nosso paz, e o fato de que não parece ter conhecimentos básicos sobre temas críticos na Europa, Oriente Médio e Ásia, significa que, lamentavelmente, não está preparado para fazer este trabalho".

"Deve chegar o momento em que digam 'chega'", afirmou, em mensagem dirigida aos republicanos.

"O Partido Republicano de fato apoia e valida as posturas de Trump. Mas, como disse em meu discurso na semana passada, acho que isso não represente a visão de muitos republicanos", concluiu.

Em seu discurso na Convenção Democrata, Obama descreveu o magnata como um demagogo que ameaça a democracia.

Nos últimos dias, Trump criticou muçulmanos, bebês, bombeiros e militares, incitando seus apoiadores republicanos a fazer repreensões embaraçosas.

O congressista Richard Hanna deu um passo adiante, ao se tornar o primeiro congressista republicano a afirmar que votará na adversária de Trump, a democrata Hillary Clinton, nas eleições de novembro.

"Eu considero Trump profundamente falho em inúmeras formas", escreveu Hanna no editorial de um jornal ao anunciar sua decisão.

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