Forças líbias consolidam posições em Sirte ante o Estado Islâmico

Sirte, Líbia, 3 Ago 2016 (AFP) - As forças líbias reforçaram nesta quarta-feira suas posições no reduto do grupo Estado Islâmico (EI) de Sirte, com a ajuda da aviação dos Estados Unidos, mas os francoatiradores e as minas colocadas pelos terroristas freiam seu avanço.

A aviação militar dos Estados Unidos realizou entre segunda e terça-feira sete bombardeios contra posições do EI em Sirte, a pedido do Governo de União Nacional (GNA), cujas forças têm problemas para reconquistar esta cidade, nas mãos dos extremistas desde junho de 2015.

"Nossas forças seguem avançando e tentam consolidar suas posições com o apoio dos bombardeiros contínuos da aviação americana, que deram um impulso à ofensiva" para reconquistar Sirte, declarou à AFP Reda Issa, porta-voz da GNA.

As tropas "enfrentam francoatiradores e minas em diferentes setores de Sirte", situada 450 km a leste de Trípoli, acrescentou.

Os bombardeios americanos, "com seu nível de precisão, contribuirão para eliminar alvos entre as casas, que são difíceis de alcançar por nossos homens", disse.

Issa não revelou se a aviação americana voltará nesta quarta-feira a realizar ataques em Sirte, principal reduto dos extremistas na Líbia.

'Armas precisas'Em uma ofensiva lançada no dia 12 de maio para reconquistar Sirte, as forças do GNA entraram na cidade no dia 9 de junho e conseguiram cercar os extremistas. Mas seu avanço foi freado pelos contra-ataques do EI, que não para de lançar atentados suicidas.

"As armas eficazes e precisas ajudarão, sem dúvida, a ganhar a batalha", disse o responsável líbio em alusão aos bombardeios americanos.

Os Estados Unidos, que bombardeiam o EI no Iraque e na Síria desde 2014, reiteraram em várias ocasiões sua vontade de destruir a organização.

O presidente americano, Barack Obama, afirmou que os bombardeios são um tema de "segurança nacional" para seu país.

Em outras zonas do território líbio, os Estados Unidos já haviam lançado outros bombardeios. Em um deles, em novembro de 2015 em Derna (leste), o Pentágono disse ter abatido o líder do EI no país, Abu Nabil.

Em quase três meses, mais de 300 membros das forças líbias morreram e outros 1.500 ficaram feridos, segundo fontes médicas em Misrata (200 km a leste de Trípoli), sede do comando militar da operação para reconquistar Sirte.

"Violações do espaço aéreo"O EI conseguiu se implantar na Líbia e se apoderar de Sirte aproveitando o caos no país após a queda do regime de Muanmar Kadhafi, em 2011, depois de oito meses de rebelião armada.

Dois governos disputam o poder, o GNA instalado em Trípoli e reconhecido pela comunidade internacional e um gabinete paralelo, com base no leste do país.

Para a administração instalada no leste, estes ataques aéreos americanos são "violações do espaço aéreo" líbio.

E a polêmica Dar al Iftaa, a mais importante autoridade religiosa líbia, que também não reconhece a autoridade do GNA, também rejeitou os bombardeios, alegando que eram uma tentativa de roubar protagonismo das forças líbias e constituíam uma "violação da soberania nacional".

Na noite de terça-feira, 23 membros das forças leais ao governo paralelo morreram em um atentado suicida em Benghazi, 1.000 km a leste de Trípoli, segundo um novo balanço de uma fonte médica.

Há mais de dois anos, Benghazi, a segunda cidade da Líbia, vive em meio a confrontos entre as forças do controverso general Khalifa Haftar, oposto ao GNA, e os grupos extremistas.

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